Frontpage Slideshow | Copyright © 2006-2010 JoomlaWorks, a business unit of Nuevvo Webware Ltd.

Cemig reduz novamente vazão da barragem

As chuvas que têm caído o Sudeste ainda não foram suficientes para reverter a crise hídrica que afeta rios da região, em especial o São Francisco. A vazão do reservatório da usina de Três Marias teve nova redução de vazão na quinta-feira (30). O volume de água liberado pela barragem caiu de 140 metros cúbicos por segundo para os atuais 120 metros cúbicos por segundo. A medida pode ter o efeito prático de agravar a situação das populações próximas ao reservatório os próximos dias.

Essa é a menor vazão registrada naquele que é um dos maiores instalados ao longo do Rio São Francisco. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Águas e tem o objetivo de preservar o reservatório, que hoje está com 3,01% de seu volume útil. Três Marias é o reservatório de cabeceira do Rio São Francisco e o segundo maior da bacia, depois de Sobradinho.

A usina de Três Marias, que possui seis turbinas para gerar energia, funciona atualmente com apenas duas turbinas e corre o risco de ter que desligar todas as máquinas, devido à queda constante do volume de água.

Por meio de nota, a Cemig [A Companhia Energética de Minas Gerais], responsável pela usina, informou que avalia, agora, a possibilidade de cumprir a solicitação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sem que haja necessidade de desativar uma das turbinas em operação. A estimativa é de que seriam necessários 30 dias de chuvas ininterruptas para que a barragem retome o se nível normal, o que provavelmente não vai ocorrer na atual temporada de chuvas.

Configuração inédita que coloca PT nos três níveis de governo anima prefeitos de Manga e Januária

Os petistas Manoel Jorge e Anastácio apostam suas fichas no mando petista de ponta a ponta: União, estado e municípios

Embalados pela recente conquista do governo mineiro e reeleição da presidente Dilma Rousseff, os prefeitos petistas Manoel Jorge (Januária) e Anastácio Guedes (Manga) têm dito ao circulo de assessores mais próximos que agora vão conseguir deslanchar suas gestões. Não é nada, não é nada os dois se animam com a perspectiva de reeleição que até aqui não lhes era muito favorável. 

A inédita e rara conjuntura que colocou o PT nas três esferas de poder seria o o caminho mais rápido para imprimir ritmo às respectivas administrações, que já andam pela metade e ainda não conseguiram dizer a que veio. Em Manga, por exemplo, Anastácio tem mais festa do que obras no currículo, mas é todo otimismo com a possibilidade de virar o jogo após Fernando Pimentel assumir o governo de Minas, em janeiro próximo.

Mas não é só. O status de deputado estadual mais votado no estado que o petista Paulo Guedes acaba de conquistar é festejado como novo momento para a região - em especial para as administrações petistas. O otimisto é justificado também por que o PT voltou a fazer barba, cabelo e bigode no semiárido mineiro no segundo turno das eleições presidenciais. Municípios como Bonito de Minas (onde a presidente Dilma alcançou 88,37% dos votos válidos) e Miravânia (80,36% dos votos válidos) exacerbaram a chamada onda vermelha. Ainda que necessário relativizar esses feitos, dado o pequeno número de eleitores dessas localidades, a lavada petista se repetiu com intensidade parecida por cerca de noventa municípios da região. E o que dizer dos 62,05% que a presidente reeleita conquistou em Montes Claros, o maior colégio eleitoral da região?.

Com esses números, o Norte de Minas por inteiro e não só municípios sob o mando do PT certamente mereceriam maior atenção do segundo governo Dilma e do estreante Pimentel. Mas é conveniente que Manoel Jorge e Anastácio moderem o entusiasmo. Tudo está a indicar que o cobertor será curto em 2015, especialmente em Minas, onde o futuro governo deve herdar situação fiscal das mais complicadas. Quanto ao governo federal, nada leva a crer que daqui pra frente tudo vai ser diferente. O próximo ano, por sinal, será exatamente o exíguo tempo que resta aos atuais prefeitos para mostrarem serviço.

Isonomia

Reúso da água da piscicultura na irrigação de lavoura foi um dos destaques da premiação


Tanques de criação de peixes na Fazenda Vista Alegre: água é canalizada para reúso em plantações (Foto: Manoel Freitas)

As empresas Andarilho da Luz, de Belo Horizonte, Arga Vidros, de João Pinheiro, Fazenda Vista Alegre, de Manga e Trivelato Geradores, de Uberlândia foram as grandes vencedoras do 4º Prêmio Sebrae Minas de Práticas Sustentáveis, anunciado na semana passada, durante cerimônia em Belo Horizonte. 

Selecionadas entre 193 inscritas em todo o estado, as quatro iniciativas vão receber capacitação em liderança e gestão avançada e terão suas práticas em sustentabilidade relatadas em uma publicação especial do Sebrae Minas, que também vai abordar as práticas de outras seis finalistas.

Uma das vencedoras, a Fazenda Vista Alegre, em Manga, no extremo Norte de Minas, tem como premissa o reaproveitamento de recursos. Seguindo a Lei de Lavoisier, segundo a qual “na natureza nada se cria, tudo se transforma”, a fazenda reutiliza a água usada na piscicultura para a irrigação, não poluindo o rio e ainda economizando na fertilização da lavoura e do pasto.

O empresário Edvaldo Alkimin (ao centro na foto ao lado), dono da fazenda, também gerencia uma padaria e um laticínio. O soro gerado pelo laticínio, que antes era despejado no meio ambiente, é destinado para alimentação dos porcos, assim como as sobras da padaria, que ajudam a reduzir o custo da alimentação dos suínos. Os restos de alimentos da padaria também viram compostagem, adubo orgânico para a fertilização da horta.

A fazenda também tem um projeto, em fase final, para a utilização dos dejetos dos porcos na produção de biogás, que irá gerar energia elétrica para o laticínio. “Não há desperdiço, tudo é reaproveitado em favor do meio ambiente e dos negócios. Tudo que vem fazenda como o leite, legumes, verduras e frutas vai para a padaria, e os resíduos gerados pela padaria voltam para a fazenda, servindo para a fertilização da terra. O nosso lema é aproveitar e reaproveitar”, conta Edvaldo.

O prêmio

Criada em 2011, a premiação promovida pelo Sebrae Minas é um incentivo à inovação tecnológica e à busca de posturas e procedimentos que possam tornar as pequenas empresas mais eficientes, rentáveis e sustentáveis.

“O prêmio reconhece as iniciativas empreendedoras em sustentabilidade, com o objetivo de tornar os empresários mineiros mais conscientes e responsáveis, diminuindo o risco da escassez de recursos naturais imprescindíveis para a nossa sobrevivência”, explica o diretor de Operações do Sebrae Minas, Fábio Veras.

Nesta 4ª edição foram 71 inscritos a mais que na edição anterior. Entre os critérios de seleção do prêmio estão empresas que estão em dia com as obrigações de licenciamento ambiental e possuem práticas diferenciadas na gestão de resíduos, recursos hídricos, eficiência energética, controle de qualidade do ar e da poluição sonora. No âmbito social, empreendimentos que investem em programas de treinamento e capacitação dos empregados, de segurança no trabalho, além de respeito à legislação trabalhista, previdenciária e fiscal.

Outras práticas premiadas

Baixa demanda por novos processos pode levar Tribunal a ampliar número de municípios sob circunscrição do juizado local

Prédio do Fórum de Montalvânia: baixo demanda ameaça futuro da Comarca (Foto: Rômulo Henok)

Rumores dando conta que a Comarca de Montalvânia, no extremo Norte de Minas, poderá ser extinta causou certo mal-estar na cidade e região nas últimas semanas. O entendimento é de que, se levada adiante, a medida pode representar grande retrocesso para o município. Instalada em 1998, a Comarca de Montalvânia é considerada como de baixa distribuição [há períodos em que o registro de novos processos é menor que os transitados em julgado]. O site apurou que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) tem pronto estudo para readequar algumas de suas 296 comarcas, de modo a distribuir melhor o efetivo de magistrados, considerado abaixo das necessidades de prestação dos serviços judiciais.

O levantamento, que avaliou dados processuais em todo o estado, identificou a distribuição de processos e o acervo de cada instância. A conclusão é de que parte dessas “comarcas têm distribuição processual alta e acervo elevado, em contraste com outras em que a realidade é de baixa distribuição mensal e acervo reduzido”. 

Cada comarca precisa ter uma produção mínima que justifique a sua criação e existência. O Tribunal de Justiça pode estender a jurisdição dos juízes de primeiro grau para comarcas contíguas ou não, na tentativa de buscar solução para acúmulo de serviço. Esse parece ser o caso de Montalvânia, que tem estoque baixo de processos em andamento (pouco mais de mil segundo uma fonte), enquanto a vizinha Comarca de Manga, bem mais antiga, acumula algo em torno de 15 mil processos ainda sem julgamento.

Segundo o texto, comarcas com movimentação e distribuição processual baixas poderão abarcar novos municípios, antes atendidos por comarcas com acervos significativos e com alta distribuição mensal de processos. “A divisão equitativa do trabalho só traz vantagens para o jurisdicionado, que terá suas demandas julgadas mais rapidamente, sem prejuízos para os envolvidos”, diz o texto.

Força de trabalho

Reeleita para novo mandato, presidente faz apelo por diálogo e promete reformas

Banquete dos signos: Lula e Dilma simbolizam paz ao país divido após a mais difícil batalha eleitoral desde a redemocratização

Dilma Rousseff foi eleita neste domingo (26) para um novo mandato na mais apertada vitória desde a redemocratização do país (51,6% dos votos, contra 48,4% do rival Aécio Neves). “Ao vencido o ódio ou a compaixão. Ao vencedor as batatas”, já dizia Machado de Assis na célebre frase que colocou na boca de Quincas Borba. Dilma venceu e, portanto, leva as batatas. Ou o abacaxi, para que prefira, de governar um país dividido, com baixo ritmo na atividade econômica e muitas incertezas para o futuro.

Não por acaso, ela e o ex-presidente Lula apareceram vestidos de branco, na cerimônia de agradecimento de agora há pouco em um hotel aqui de Brasília. Tirante a militância, que por motivos óbvios precisa bater-bumbo, pelo menos por aqui, o clima é pouco festivo. Dilma, por sinal, estava mais leve e simpática ao retirar o ar carrancudo com que apareceu nos últimos debates eleitorais. 

Além do simbólico apelo à cor que representa a paz, a presidente eleita fez apelo ao diálogo e à união. Não poderia ser diferente, pois, superados os ataques de lado a lado, na mais virulenta campanha dos últimos tempos, Dilma precisa governar para todos. A ênfase nesse detalhe, portanto, não é gratuita, muito menos desnecessária.

Ali mesmo, a seus pés, militância sequiosa por mais embate gritava palavras de ordem contra a Rede Globo e, por adição, contra a revista Veja – representação do que o petismo apelidou de mídia golpista. Dilma terá que fazer ouvidos moucos aos apelos da turma ávida por repetir no Brasil os mimos que Cristina Kirchner e o chavismo reservaram aos seus desafetos nos respectivos países.

A simbologia da paz talvez soe mais didática até mesmo a Lula do que em Dilma. O ex-presidente personaliza melhor a divisão do país entre o ’nós’ e o ‘eles’, na linha da divisão de classe e acentuação das diferenças regionais que, ao fim e ao cabo, foi o combustível para garantir ao PT 16 anos no poder, o maior período de mando de uma corrente política na história de República - considerados as fases de normalidade democrática. Campanha é uma coisa e governo é bem outra, é essa a mensagem implícita no jogo de sinais. Ainda sob os efeitos inebriantes da vitória, Dilma foi nessa direção.

“Em lugar de ampliar divergências, creio que é hora de construção de pontes. O calor liberado no fragor da disputa pode ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil. Em alguns momentos da história, resultados apertados produziram mudanças mais rápidas e mais amplas. Essa é minha esperança. Aliás, é minha certeza. Esta presidente aqui está disposta ao diálogo e este é meu primeiro compromisso neste segundo mandato. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós, que vivemos numa das maiores democracias do mundo”, discursou a presidente eleita.

Na sua fala, Dilma lembrou que mudança foi a palavra mais dita durante a campanha e que o tema mais amplamente invocado foi reforma. “Estou sendo reconduzida à presidência para realizar as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige. Estou pronta a responder a essa convocação. Sei do poder que cada presidente tem de liderar as grandes causas populares. E eu o farei”, disse a presidente. Mais fácil falar do que fazer, dado o previsível quadro de dificuldades que a petista vai encontrar ao longo do caminho desse segundo mandato, quando a expectativa de poder tem data de validade.

Minas e Aécio

Após se deslocar do tucano, Dilma volta ao empate técnico - segundo Datafolha de véspera

A crer no que diz o levantamento que o Datafolha acaba de divulgar, o eleitor vai para as urnas neste domingo com o jogo ainda embaralhado e com a sucessão em aberto. Segundo o instituto, considerado apenas os votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Dilma chega no dia que antecede à votação com 52%, ante os 48% de Aécio. Os números indicam empate técnico, mas no limite da margem de erro.

Na pesquisa anterior do Datafolha, realizada nos dias 22 e 23, Dilma tinha 53%, contra 47% de Aécio, em diferença fora da margem de erro – o que mostrava o deslocamento da petista e forte tendência para que conquistasse o segundo mandato. Não se sabe se por efeito do debate de ontem na TV Globo, mas o Datafolha mostra que a petista mostra parou de abrir vantagem sobre o rival. O levantamento foi feito entre a sexta e este sábado.

Dilma ainda é favorita a ganhar a eleição, porque seu desempenho negativo [um ponto percentual a menos em relação à pesquisa anterior] não veio acompanhada por uma subida do tucano que possa garantir o empate técnico.

Outra pesquisa, a do Ibope, a ser divulgada daqui a pouco mostra Dilma com 53% e Aécio com 47%. Os institutos alertam que os números não podem ser confundidos com “tentativa de previsão dos resultados da eleição deste domingo”. Segundo o Datafolha, o levantamento é um retrato da corrida eleitoral no período em que as entrevistas foram feitas. Seja como for, os números trazem breve alento para o candidato Aécio Neves, que mantém a esperança de virar o jogo. Na ponta contrária, crava a estaca da dúvida no entusiasmo do petismo, que passaram a semana se segurando para não cantar vitória antes das urnas.

Votação dos candidatos apoiados pelo prefeito de Montalvânia mostra falta de rumo da administração

Um magote de prefeitos do Norte de Minas não conseguiu entregar os votos prometidos aos seus candidatos nas eleições de 5 de outubro. Um dos casos mais emblemáticos é o de Montalvânia, onde os candidatos apoiados pelo prefeito Jordão Medrado (PR) amargaram os terceiros lugares após a contagem dos votos.  

Os modestos desempenhos de Ana Maria Resende (PSDB), que fracassou na tentativa de se eleger para uma vaga de estadual, e do deputado federal Bilac Pinto (PR) podem comprometer o futuro político do prefeito Medrado. No mínimo, mostra que a atual administração de Montalvânia ainda não achou seu rumo.

Jordão provavelmente vai enfrentar o médico e ex-prefeito José Florisvaldo Ornelas (PTB) na tentativa de reeleição em 2016. Ornelas mostrou prestígio, a despeito de estar há seis fora do cargo, ao conseguir a maior votação no município para o deputado estadual Arlen Santiago (PTB), apoiado por 2.944 cochaninos. Aliados de Medrado, Ana Maria (961 votos) e Bilac Pinto (937 votos), receberam votação, somadas, até mesmo abaixo da performance do também deputado estadual Paulo Guedes (PT), sufragado por 2.470 eleitores no município.

Guedes foi apoiado pelo vice de Jordão, Orlando Mota (PR), que pode se transformar em nova força política no município caso resolva alçar novos voos e sonhar com a cadeira do atual companheiro de chapa. Para se ter uma ideia de quanto o desempenho de Jordão foi acachapante, sua aliada Ana Maria recebeu 1.125 votos na vizinha Manga, onde foi apoiada pelo assessor parlamentar Hugo Mota. Se o teste das urnas dos aliados de Jordão serviu como uma avaliação da sua gestão, e tudo indica que sim, o prefeito precisa agora correr atrás do prejuízo.

Vice-prefeito de Januária volta à campanha petista, após tomar chá de sumiço no primeiro turno

O vice-prefeito de Januária, o neopetista Hamilton Viana, tomou um chá de sumiço durante o primeiro turno das eleições. Eis que, passado o primeiro turno, quando ficou claro o banho que a onda vermelha deu em Januária e em todo o norte-mineiro, Hamilton Viana, o cristão novo do petismo Januarense, retirou da gaveta sua desbotada camisa vermelha, com estrela no peitoral, para ir a Montes Claros dar vivas! e obas! ao governador eleito Fernando Pimentel.

Mas por onde andava Viana antes do 5 de outubro? É que o atual vice-prefeito de Januária foi o avalista da promessa do deputado estadual reeleito Arlen Santiago (PTB) de o governo estadual faria a liberação da verba, avaliada em R$ 800 mil, para a pavimentação da Avenida Antônio Correia e Silva, a principal via de acesso do povoado de Riacho da Cruz, onde o atual vice fez carreira política ao se eleger quatro vezes para a Câmara Municipal.

Hamilton Viana ficou na moita durante o primeiro turno, na esperança que Arlen cumprisse sua promessa. Resultado, o PSDB perdeu em Minas e o governo do capitão do mato Alberto Pinto Coelho (PP) vive clima de fim de feira. Asfalto que é bom, a população do Riacho da Cruz não viu até agora, em exemplo de claro fracasso da tática oportunista do prefeito Manoel Jorge (PT) em colocar o pé em duas canoas, para servir, ao mesmo tempo, ao seu partido e o tucanato mineiro – não necessariamente nessa ordem.

Hamilton Viana passou por maus bocados e chegou a chorar em público, quando o Riacho da Cruz foi palco, em dezembro do ano passado, de protestos pelas péssimas condições da principal via do distrito. Parte da população interditou o fluxo dos veículos no traçado normal da BR-135.

Dilma se desloca de Aécio na hora do vamos ver

A presidente Dilma Rousseff chega às vésperas da eleição do próximo domingo em situação muito confortável, com amparo nas pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas na quinta-feira (23), que apontam crescimento homogêneo do seu nome em todos os segmentos demográficos e por todo país. Traduzindo em miúdos: só fato novo elevado à categoria de desastre lhe tira o segundo mandato. Seu crescimento é consistente e veio no momento que não permite espaço para sobe e desce nas pesquisas.

Esta campanha, por sinal, foi marcada por interessante revezamento de três candidatos cotados para ganhar a eleição, pela ocupação, ainda que temporária, da primeira colocação no segundo turno. Marina tomou a dianteira de Dilma por alguns dias, na simulação de segundo turno, enquanto surfava na onda da mudança e antes de ser desfigurada pelas próprias contradições e pelo moinho petista de desconstrução dos adversários. Aécio abriu a atual temporada com ligeira vantagem, para se ultrapassado por Dilma no momento decisivo da disputa.

Tudo pesado e medido, Dilma vai para o temido debate desta noite na TV Globo com a vantagem de quem está com a mão na taça. Precisa apenas ter serenidade e não se deixar levar pelas eventuais provocações de Aécio. Enfim, a petista precisa administrar o tempo, passar confiança e não cometer nenhum erro grave ao longo do debate.

Para Aécio a missão é bem mais complicada, uma espécie de opção entre o tudo e o nada. O tucano sabe que o debate na TV Globo é a chance de virar o jogo, mas na prática a coisa não é tão simples, pois além de precisar demonstrar superioridade incontestável em relação à sua oponente, ele não voltar a cair em erros já recusados pelo o eleitor de cair no denuncismo acompanhado da agressividade pura e simples ou de certa arrogância e ironia de debates anteriores.

Bala de prata

Lula repete a lei natural de que ninguém está imune aos efeitos do tempo

A três dias do retorno do eleitor à cabine de votação, a disputa presidencial chega ao seu momento de maior tensão. Tudo agora precisa ser milimetricamente calculado de lado a lado, porque qualquer erro pode tirar as chances dos dois contendores na disputa – até aqui empatados, muito embora no limite extremo da chamada margem de erro. 

A presidente Dilma Rousseff recebeu significativo alento, ao aparecer à frente do adversário Aécio Neves, mas, vale repetir, ainda que dentro dos limites do empate técnico. Ela tem 47% das intenções de votos, ante 43% do seu adversário. Apesar dessa ligeira vantagem, o clima é de muita cautela nas hostes petistas. Quando nada pelo histórico de erros nas pesquisas, mas também pelo receio de que eventual abstenção fora dos limites históricos possa vir exatamente do eleitorado de Dilma. 

O balanço prévio do que se viu até aqui mostra a campanha mais polarizada e nervosa dos últimos tempos. Há 12 anos no mando federal, o PT não se imagina fora da Esplanada dos Ministérios – o que explica boa parcela do mau-humor que tomou conta dos programas eleitorais, debates e do bate-boca virtual entre militantes de cada corrente na arena em que tem se transformado o fenômeno ainda recente das redes sociais. 

A hora é de decisão, portanto, e o que se vê é um país dividido ao meio. Lula, o velho, que não é bobo nem nada, parece pressentir o cheiro de queimado no seu entorno. Por isso assumiu para si a pouco edificante tarefa de atacar o neto de Tancredo abaixo da linha da cintura. E nisso ele é bom, porque foi moldado por anos de sindicalismo. Lula adotou estratégia de tentar colar em Aécio a pecha do sujeito que ataca com inclemente fúria uma senhora indefesa, na tentativa de apresentar sua pupila como uma simplória dona de casa, uma avó em sua tarefa de zelar pela prole. Coisa que Dilma evidentemente não é, dadas as escolhas que fez ao longo da vida e ao cargo que ocupa. Não bastasse isso, vide a imagem sempre belicosa e de poucos amigos que transparece em suas constantes aparições públicas – sobretudo nos debates. 

Lula chega ao limite de chamar Aécio de ‘moleque’ e outros excessos tantos [insinuar que o tucano bate em mulher e que se vir um pobre passa por cima]. Ontem, no comício em Belo Horizonte, o chefe da nação petista, deu clara demonstração de que se dá ao direito, ainda que no calor dos palanques, onde ninguém ousa contestá-lo, a passar de todos os limites.

Nada o impede, nem mesmo a memória do que passou em 1989, quando o agora aliado petista Fernando Collor desceu ao nível do esgoto, ao misturar família e política - naquele episódio infame em que trouxe à TV uma filha que Lula supostamente quisera abortar. Quem vê o Lula na TV, apoplético e aos gritos mesmo na condição de não candidato, pode não entender o motivo dessa ira santa. Aí é que se recomenda um pouco de cautela e doses extras de caldo de galinha. Se a fórmula lulista da briga retórica potencializada pela voz gutural e a teatral cara de indignado ainda serve de gasolina aos motores da militância petista, a imagem começa a simbolizar uma etapa da história pátria que ameaça estacionar no tempo.

Dono da bola