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Vale do São Francisco ganha parque urbano rico em grutas, pinturas rupestres e mananciais

[DO PORTAL CODEVASF] - A região do vale do São Francisco em Minas Gerais ganhou neste segundo semestre de 2014 mais um importante atrativo turístico. Trata-se de um dos maiores parques urbanos do país, o Parque Estadual da Lapa Grande, sediado em Montes Claros, município localizado no Norte de Minas a 418 quilômetros da capital, Belo Horizonte. O parque foi aberto à visitação pública em julho deste ano e já atrai moradores de Montes Claros e de outras cidades do país.

Com área de sete mil hectares, no bairro Vila Atlântida, a 10 quilômetros do centro da cidade, o Parque da Lapa Grande é rico em atrações naturais. Um dos principais objetivos que levou o Instituto Estadual de Florestas (IEF) a criar o parque, em 10 de janeiro de 2006, foi a necessidade de proteger e conservar um complexo formado por 58 grutas já catalogadas e dezenas de mananciais de água que contribuem para o abastecimento da população de Montes Claros, bem como de outros municípios limítrofes da maior cidade norte-mineira.

Entre outras atrações, o Parque Estadual da Lapa Grande conta com centenas de pinturas rupestres que revelam parte das atividades implementadas por antigas civilizações que habitaram o vale do São Francisco na era pré-histórica. O parque está inserido na região de ocorrência de cerrado, ecossistema predominante em Minas Gerais. A administração é feita em conjunto pelo IEF e Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que gerencia o abastecimento de água de Montes Claros por meio de concessão. Além das belezas naturais a prática do ciclismo é uma das opções de lazer do local, que detém 14 quilômetros de trilhas de nível leve a moderado.

Para atividades de educação ambiental, o parque conta com duas trilhas guiadas por monitores ambientais: a trilha da Lapa Grande, com 430 metros (percurso completo), e a trilha Boqueirão da Nascente, com 1.180 metros de percurso completo (ida e volta). Aos sábados, domingos e feriados, o parque tem capacidade para receber, diariamente, 200 visitantes (100 pela manhã e 100 à tarde). A entrada no parque começa às 8h30 e termina às 15h30. A taxa de acesso está fixada em R$ 5,00.

Acervo

Vereadores podem aprovar empréstimo sem conhecer valor das parcelas que município vai assumir até 2034 

ATUALIZAÇÃO: O projeto foi votado na noite da sexta-feira (17), como antecipou este Em Tempo Real. A autorização foi aprovada por oito votos a um. O único voto contrário veio do vereador Gil Mendes (PP). A Prefeitura de Manga não tem previsão de quando a análise ficará pronta nem quando o dinheiro do empréstimo será liberado.


A Câmara Municipal de Manga deve aprovar, na noite desta sexta-feira (17), projeto de lei que autoriza o prefeito Anastácio Guedes (PT) contratar empréstimo no valor de R$ 1,5 milhão junto à Caixa Econômica Federal (CEF). Os recursos são do Programa Pró-Transporte - Pavimentação e Qualificação de Vias Urbanas, Etapa 3, e serão utilizados ‘obrigatoriamente’ na pavimentação da Avenida Ayrton Senna. O empréstimo foi autorizado pelo Ministério das Cidades em maio deste ano e prevê contrapartida do município de R$ 163,8 mil.

Segundo o secretário de Administração do município, Diogo Saraiva, não se tem ainda o valor das 240 prestações mensais que a Prefeitura de Manga vai pagar pelo financiamento. Se for mantido o prazo máximo previsto pelo programa, o empréstimo só será quitado em 2034 – daqui a cinco mandatos. O município já pagou a taxa de análise de crédito, mas A Caixa ainda não concluiu o estudo da operação. Diogo Moreira diz que o prazo pode ser reduzido, já que o custo da dívida é relativamente baixo. O prazo de um empréstimo bancário influi diretamente no valor que o município vai pagar na conta juros da operação.

Os juros do financiamento serão pagos mensalmente com a taxa nominal anual de 6%. A Caixa cobra ainda uma taxa de risco de crédito de até 1% ao ano para cada operação, que incide sobre o saldo devedor do contrato. Há ainda a remuneração do banco, de até 2% anuais, também incidente sobre o saldo devedor, além das tarifas operacionais e de análise. No caso de Manga, a taxa prevista será de 8% ao ano. Segundo Diogo, as parcelas devem ficar entre R$ 7 e 8 mil mensais.

Simulações realizadas pelo Em Tempo Real no site Cálculo Exato mostram que os valores devidos devem ficar bem acima dessa estimativa: R$ 15,2 mil quando se considera remuneração pelo método dos juros simples e R$ 24,9 mil pelo sistema de juros compostos. Numa palavra: os vereadores devem aprovar a autorização legislativa sem saber exatamente de quanto será o gasto mensal do município com o serviço dessa nova dívida.

Tema polêmico

O governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), visita Montes Claros, no Norte de Minas, na tarde desta sexta-feira (17). Lideranças de toda a região foram convidadas a participar de encontro com o petista, no Automóvel Clube. Pimentel tenta animar a militância para repetir a ‘onda vermelha’ que levou o PT a vencer em quase todos os municípios da região.

O movimento é reação à ofensiva que o PSDB e gente ligada ao governo mineiro, por enquanto sob o comando de Alberto Pinto Coelho (PP), aecista de primeira hora e quatro costados, teria levado adiante no norte-mineiro. Aliados do tucanato e mesmos aqueles que estão der partida de mala e cuia para o entorno dos futuros donos do pedaço nas Alterosas, foram convocados para tentar ajudar na vitória de Aécio em Minas no próximo dia 26 de outubro.

A reversão da dura derrota no primeiro turno em Minas é considerado, entre os tucanos, pré-requisito para derrotar o PT no plano nacional. É nesse contexto que Pimentel enfrenta o sufocante calor da Terra das Formigas. O comando da campanha petista na região organiza carreata por alguns bairros de Montes Claros para o início da noite, quando pretende dar demonstração de força e crença em nova vitória sobre os tucanos.

Em jogo, a busca petista pelo quatro mandato e a crença de tucanos de que chegou o momento do retorno


A se crer nos números das principais pesquisas de intenção de voto neste segundo turno, o que temos é o seguinte: um país rachado ao meio entre a mudança que Aécio Neves (PSDB) possa representar e o mais do mesmo que Dilma Rousseff (PT) tem a oferecer – a despeito de ter embalado seu marketing eleitoral também com o mote do ‘mais mudanças’ se eleita for para novo mandato.

Um dado especialmente curioso deste segundo turno é o fato de que Ibope e Datafolha mostram o eleitorado estático no intervalo de uma semana para outra. Uma das leituras possíveis é que o ambiente de guerra em que se transformaram os debates e o horário eleitoral tenha assustado a massa de indecisos, que cresceu no período. O redemoinho produzido por denúncias de lado a lado e agressões no plano pessoal, que só encontram paralelo na disputa presidencial entre Lula e Fernando Collor de Mello, há 25 anos, só teria algum tipo de recepção e simpatia entre a militância de cada campanha.

A animosidade entre os candidatos, na base do ‘mentiroso’ para cá e ‘leviana’ para lá, contamina o país e estimula o clima de mãe de todas as batalhas entre petistas e tucanos nesta reta final de campanha. Se por um lado o PT tem enorme resistência a admitir a possibilidade da alternância de poder, com o argumento de que construiu um novo país em 12 anos de mando, por outro o PSDB parece convencido de que nunca esteve tão perto de retomar o poder. Tenta capitalizar em seu favor a majoritária tendência à mudança que o eleitor sinaliza.

O clima andou tão pesado que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu intervir para tentar evitar que os candidatos a presidente da República distorçam o objetivo que norteou a criação do horário eleitoral no rádio e na TV como espaço para ataques aos adversários. A decisão proíbe ainda o uso de recortes de jornais e de declarações de terceiros nas propagandas. A decisão não foi unânime e muda o entendimento anterior que era mais permissivo. No entendimento da Corte, o horário eleitoral gratuito [e que de gratuito não te nada, pois é pago com isenção dos nossos impostos] deva ser usado para debater programas e políticas públicas.

O debate do SBT/UOL/Rádios Joven Pan no final da quinta-feira parece ter sido o ponto-limite da guerra em que se transformou o enfrentamento os dois contendores na disputa presidencial, que ameaçam passar do ponto ao avançar o sinal para questões da vida pessoal do adversário. Quem ganhou?, quem perdeu? Difícil avaliar, embora Aécio Neves tenha demonstrado mais firmeza ante uma Dilma confusa em vários momentos.

Sangue frio

Excesso de ironias pode ter efeito contrário ao esperado por Aécio

Dia de ressaca nos chamados ‘mercados financeiros’ por conta da expectativa com os números da sucessão presidencial que as pesquisas Ibope e Datafolha vão trazer a lume logo mais à noite, no Jornal Nacional. A Bolsa de Valores caiu de maduro nesta quarta-feira, puxada pelos números de empresas do chamado ‘kit eleições’. Petrobras chegou a despencar mais de oito por cento, com a percepção de que a semana em curso pode ser da candidata Dilma Rousseff - em reação ao amplo espaço que o adversário Aécio Neves conseguiu nos dias que sucederam a votação em primeiro turno.

Mas não é só. A quarta-feira de cinzas também se justificaria porque o esperado massacre do candidato Aécio Neves no tête-à-tête com Dilma Rousseff no debate do Grupo Bandeirantes não aconteceu. As avaliações mais ponderadas dão conta de empate no embate entre os dois candidatos, mas com ligeira vantagem para a presidente Dilma – que, se não foi enfática nem brilhante no quesito retórica, teria conseguido surpreender o tucano com denúncias de desvios de dinheiro na saúde e a história do nepotismo durante a passagem do neto de Tancredo pelo governo de Minas.

Aécio, por seu turno, não trouxe fatos novos para o debate. Algo que pudesse surpreender Dilma e tirá-la do sério, com agenda fora do script combinado com seus assessores ao longo da terça-feira. O tucano ficou no mais do mesmo do escândalo na Petrobras e na tentativa, que de resto já leva adiante no horário político, de tentar mostrar o fracasso do governo Dilma na seara da macroeconomia. No mais, foi um festival de ‘o candidato falta com a verdade’ ou “é mentira da candidata”, que serve apenas ao cardápio de expectativas de quem já decidiu seu voto.

O risco para Aécio foi ter pesado a mão nas ironias contra a adversária, o que pode levar o eleitor indeciso a ver apenas arrogância onde o candidato esperava disseminar segurança e determinação. "Seu governo chega ao final de forma melancólica", afirmou o tucano lá pelas tantas.

As pesquisas desta noite não devem pegar ainda o clima do debate na Band, mas há certa expectativa no ar para que Dilma retorne à dianteira – ainda que na margem de erro. Nada, no entanto, é definitivo: a disputa segue acirrada e aberta às surpresas. Restam ainda três debates na TV. O principal deles na TV Globo, no dia 24 de outubro, a dois do segundo turno – quando eventual erro não tem retorno.

Três Marias chega a nível crítico, com ameaça para geração de energia e economia de cidades ribeirinhas

Com Agência Brasil

Imagem: Elizabete Alves Lopes

Outubro avança e nada de chuva no Sudeste e Centro-Oeste do país. A estiagem, aliada às altas temperaturas, por sua vez potencializadas pelo efeito das queimadas, confere status de verdadeiro drama para as populações ribeirinhas do Rio São Francisco. Agora mesmo, o volume útil de água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias, em Minas Gerais, desceu a 4,1% da capacidade máxima do reservatório - nível que compromete a vida dos ribeirinhos em assuntos vitais como travessia de uma margem para outra e a manutenção de lavouras irrigadas.

Para se ter ideia da gravidade da situação, em outubro do ano passado, quanto o regime de chuvas era mais ou menos normal, o volume da represa estava em 24,86%. Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), concessionária que administra Três Marias, das seis turbinas da usina, penas duas estão em operação. Ainda assim, a empresa garante que a hidrelétrica continuará gerando energia até que o volume útil chegue a zero, caso isso aconteça. Mas já circulou informação dando conta que, se chegar a 3% da capacidade do lago de Três Marias, a geração de energia será totalmente interrompida, por que a lâmina d’água ficaria abaixo do ponto de alimentação das turbinas.

Redução recorde da vazão


O capital mais precioso dos institutos de pesquisa é – ou pelo menos deveria ser – a credibilidade. É conquista árdua, que se acumula aos poucos e ao longo do tempo a depender do percentual de acerto em relação aos levantamentos que realiza. Os números que têm sido divulgados neste segundo turno não falam coisa com coisa e tem gente boa comendo mosca, por erro na margem ou pura má fé. Neste último caso, tentativa clara de direcionar os rumos da disputa presidencial. Numa palavra: mais uma das possibilidades de crime eleitoral.

Ora, essa pesquisa IstoÉ/Sensus divulgada no último final de semana mostra o candidato Aécio Neves (PSDB) 17 pontos percentuais à frente da adversária Dilma Rousseff (PT) não pode ter como mesma base de dados o levantamento que o Instituto Vox Populi preparou, e que a Rede Record de Televisão divulgou nesta segunda-feira. Segundo o Vox Populi, Dilma (45%) está a frente do tucano Aécio (44%). Os números parecem falar de países distintos ou de momentos eleitorais diferentes.   

É óbvio que alguém erra feio nessa história. A possibilidade dos candidatos estarem colados na preferência do eleitor é mais provável neste instante da disputa – como, aliás, indicaram os levantamentos do Datafolha e Ibope da semana passada. Ponto para o Vox Populi e a TV Record. Ainda assim, outro levantamento desse mesmo Vox Populi para a emissora do bispo não foi divulgado, ou demorou muito para vir à luz do dia, porque supostamente não interessava ao PT. Nunca é demais lembrar que a Record é dona de partido político aliado ao governo federal.

Também na semana passada o desconhecido Instituto Paraná e o mineiro Veritá, este nem tão desconhecido assim, divulgaram pesquisas que colocavam o tucano na frente da petista, com vantagem em torno dos 10 pontos percentuais. A coligação liderada pelo PT questionou a metodologia utilizada pelo Instituto Paraná na Justiça Eleitoral. E fez muito bem. A simples possibilidade de manipulação dos números é algo muito grave. De lado a lado. Amanhã sai nova rodada do Datafolha e Ibope. Por tradição, são dados mais confiáveis – a despeito dos recentes furos do Ibope no primeiro turno, em especial na surpreendente virada petista na Bahia.

Os nervos estão mesmo à flor da pele neste momento da disputa presidencial. De um lado, o medo de perder o mando federal em uma eleição planejada para ser um grande passeio de Dilma Rousseff – o PT só descobriu que não levaria em primeiro turno após a tragédia que vitimou Eduardo Campos. Na outra margem, a convicção de nunca a retomada do poder esteve tão próxima – com o evidente desgaste petista na seara da moralidade e cuidado com a coisa pública. Tudo isso é verdade, oque não justifica que institutos de pesquisas sirvam a interesses não confessáveis ao oferecer seu principal patrimônio na bacia das almas das conveniências eleitorais.

A votação recorde de Paulo Guedes na disputa estadual vista por dentro

### Euforia da vitória cede lugar ao risco real de Aécio estragar a festa petista em Minas

Guedes entre Lula e Dilma e ao lado de eleitora que se emociona ao recebê-lo. Abaixo, fala a operário durante ato de campanha: presença federal  no semiárido mineiro

[ATUALIZADO] - Horas depois de ter o nome confirmado como o deputado estadual mais votado em Minas no dia 05 de outubro, o petista Paulo Guedes recebeu uma ligação do governador eleito e companheiro de partido, Fernando Pimentel. A conversa foi rápida, durou cerca de sete minutos, e teve o mote de servir como deferência especial do futuro governador ao campeão de votos na disputa por vagas na Assembleia Legislativa de Minas.

Mas não foi só: Pimentel também agradeceu a vitória padrão arrasa quarteirão que o PT conseguiu no Norte de Minas. “Devo parte da minha vitória à significativa votação que recebemos no Norte de Minas e você será um parceiro importante do nosso governo”, teria dito Pimentel.

Vista sob perspectiva e fora do calor eleitoral, a votação recebida por Paulo Guedes foi mesmo um feito digno de nota. Além do fato raro – e talvez inédito – de ter sido o nome majoritário em 35 municípios, o petista conseguiu inequívoca demonstração de força com os 30 mil votos que recebeu em Montes Claros. Crescimento de quase 1.000 por cento em relação à disputa de 2010, quando recebeu pouco mais de três mil votos no município mais populoso da região.

Diferencial

Mas o que levou 164,8 mil eleitores a dar ao petista o melhor desempenho já conseguido nas urnas por um candidato no meio norte-mineiro? Seus desafetos são rápidos no diagnóstico: muito dinheiro e muitas promessas, não necessariamente nessa ordem. A explicação é simplista demais para ser verdadeira. Fosse apenas isso, a recém-eleita Raquel Muniz (PSC) e o reeleito Arlen Santiago (PTB), do seleto clube dos ‘com-avião’, não teriam saído das urnas com tamanhos bem parecidos na faixa dos noventa e poucos mil votos. Ademais, a votação Guedes recebeu agora é quase quatro vezes superior a que ele recebeu há oito anos, quando decidiu expandir seus horizontes para além das divisas de Manga - onde começou sua carreira política como vereador. Não é possível mentir para tantos, durante tanto tempo. 

“Dinheiro não foi mesmo. A campanha foi muito difícil neste aspecto”, diz a jornalista e assessora de imprensa Rita Mendes – que há um bom par de anos acompanha a trajetória política ascendente do petista. Rita vê em Guedes um diferencial em relação a outros políticos: ele não faz campanha apenas nos três meses que antecedem cada eleição. “Durante os quatro anos do mandato ele vai a todos os lugares, participa da vida das comunidades, cria uma identidade com as pessoas, é algo que não se vê na política”, diz a jornalista.

A opinião é dividida por um dos aliados do petista, que pede para não ser identificado. “Independente de campanha, ele viaja todos os finais de semana pelos municípios do Norte de Minas. Além disso, vai com muita frequência a Brasília, em busca de recursos para atender às demandas dessa população”, diz essa fonte.

Estadual-federal

Outra vertente para explicar o sucesso eleitoral de Paulo Guedes estaria na ampliação do seu papel de deputado também para a esfera federal. Um indicativo disso foi o apoio recebido pelo petista do diretor do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Gustavo Xavier, e do superintendente estadual em Minas Gerais da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba, Dimas Rodrigues. A aliança com Dimas, por exemplo, fez a votação de Guedes disparar no município de Janaúba: 6.616 sufrágios neste ano ante os 2.223 em 2010. Um incremento de 300% no intervalo de quatro anos.

Essa proximidade com as autarquias federais com atuação na região, caso do Dnocs e Codevasf, mas também em alguns ministérios e até na Caixa Econômica Federal teria possibilitado a Paulo Guedes, na opinião de algumas fontes, aumentar a presença do governo federal no semiárido mineiro. São ações no combate aos efeitos da maior estiagem enfrenta pela região em 80 anos e até mesmo sua atuação na habilitação de pessoas da região para receber moradias do Programa Nacional de Habitação Rural.

Para sorte de Guedes – e sorte tem sido um elemento fundamental na sua carreira política –, seus adversários regionais por uma vaga no Legislativo mineiro perderam fôlego com a crise financeira que atravessa o Estado de Minas e fez minguar os investimentos na região.

“Temos uma parceria forte com o governo federal, que tem possibilitado investimentos importantes na região. Nos últimos anos, consegui trazer para o Norte de Minas ações e programas que realmente estão mudando a vida de milhares de famílias”, diz o deputado, em comunicado distribuído por sua assessoria de imprensa, quando citou o programa Água para Todos, que teria investimentos previstos da ordem de R$ 2 bilhões em abastecimento de águas nas comunidades rurais e na construção de barragens para amenizar o problema crônico da seca na região.

Presença no semiárido

A bem da verdade, a construção de barragens como Berizal e Congonhas ainda não saiu do papel, mas é verdade que tiveram alguns pouco avanços, em especial na seara burocrática, durante os governos dos petistas Lula e Dilma Rousseff. Guedes, no entanto, não se faz de rogado e contabiliza os feitos que ainda estão por acontecer.
Mas a lista de ações federais em que diz intermediação não para por aí: ele lembra que o Norte de Minas é região recebe o maior número de moradias rurais no Brasil.

“Isso foi possível porque, há cerca de cinco anos, montamos uma equipe técnica para ajudar as famílias no acesso ao programa e acompanhar todo o processo até a construção das casas”, garante. O deputado lembra que, das 13 escolas técnicas que o governo federal está construindo em todo o estado, oito são no Norte de Minas. “Todos os nossos municípios também estão sendo contemplados com creches do programa ProInfância, além da construção e expansão das universidades na região”, acrescenta.

Visibilidade

Outra fonte ouvida pelo site diz que ‘visibilidade’ é a palavra mais adequada para explicar a performance eleitoral do petista. Guedes conseguiu, até aqui, ser mais percebido que os seus pares na Assembleia Legislativa. Essa percepção seria resultado, entre outros feitos, da ousada decisão do deputado em disputar a sucessão do ex-prefeito Luiz Tadeu Leite (PMDB) em Montes Claros.

Guedes saiu de irrisórios meio por cento nas intenções de voto e conseguiu chegar em primeiro lugar no segundo turno, quando perdeu para o atual prefeito, Ruy Muniz (PRB). O petista perdeu a disputa, mas ganhou ‘visibilidade’ no rádio e TV durante quase dois meses. Esse recall [lembrança espontânea na cabeça do eleitorado], é um dos motivos que o levaram ao posto de deputado estadual mais votado em Minas Gerais e, seguramente, o mais votado da história em todo o Norte de Minas.

Identidade

O prefeito de Matias Cardoso, Edmárcio Moura Leal (PSC), com o polegar em sinal de positivo na foto ao lado, fez as contas e descobriu que carreou para o deputado federal Gabriel Guimarães a maior votação proporcional em relação a todos os municípios mineiros em que o petista foi votado. Gabriel recebeu 2.630 votos em Matias Cardoso, o que equivale a 58% dos votos válidos ou 1,31% dos mais de 200 mil votos com os quais Gabriel foi reeleito para um segundo mandato.

O curioso, é que Edmárcio assume ter feito uso da estratégia de colocar os pés em duas canoas, ao apoiar deputados estaduais antagônicos entre si e, mais que isso, inimigos e donos da maior rivalidade na atual política do norte-mineiro. A saber, Arlen Santiago (PTB), votados por 1.560 eleitores de Matias Cardoso, e Paulo Guedes (PT), que recebeu 768 votos. A soma de ambos é mais ou menos equivalente à votação do federal Gabriel – o que indica que Edmárcio mantém em carteira, e como moeda de troca, quase dois terços do eleitorado local.

A manobra esperta de lotear a base política e dividir os apoios entre deputados ligados ao atual governo mineiro e ao petismo, na esfera federal, não é, obviamente, exclusividade do prefeito Edmárcio. Muitos deles trilharam esse caminho quando tudo parecia indicar outra vitória do PSDB em Minas. A diferença é que Edmárcio se jacta do feito. Para ele, a “parceria” com os três deputados contribuiu para viabilizar a transferência de recursos do estado e União para o município, inclusive na difícil convivência com a seca. Pode ser. O difícil é explicar para o eleitor essa postura política nem quente nem fria, muito antes pelo contrário em que o sujeito e ao mesmo não é, agora que tucanos e petistas tentam, mutuamente, arrancar o escalpo adversário.

Para não ficar na chuva, deputados derrotados no Norte de Minas apostam fichas na vitória de Aécio

Fim de ciclo: Souto e o casal Jairo Ana Maria não conseguiram se eleger, a exemplo do que já  acontecera em 2010

O eleitor mandou um duro recado para o ex-prefeito de Montes Claros Jairo Ataíde (DEM): chegou a hora de buscar o caminho da aposentadoria. Pelo menos da vida pública. Sua tentativa de se reeleger para o Congresso Nacional foi um fiasco: conseguiu 19.273 votos, bem abaixo dos 73 mil de quatro anos atrás, quando ficou apenas na suplência. Com o ex-ministro do Tribunal de Contas da União Humberto Souto (PPS) aconteceu o oposto: ele até conseguiu aumentar sua votação de 65,4 mil para 70,9 mil votos, mas ainda assim volta a amargar nova temporada no banco da suplência.

Ao contrário do que muita gente pensa, Jairo e Humberto Souto não eram deputados, eles foram investidos nessa condição por obra e graça dos acordos de gabinetes arranjados pelo então governador Antonio Anastasia (PSDB) após a abertura das urnas em 2010. Desta vez, eles não têm sequer essa alternativa a que se agarrar. A janela da esperança que se abre para os suplentes de deputado federal norte-mineiros é a eleição de Aécio Neves para a Presidência da República, com a possibilidade de indicação para uma autarquia aqui ou arranjo qualquer acolá.

Com a saída de Souto e Jairo de cena, o Norte de Minas perde dois parlamentares experientes. Mal ou bem, eles eram, até então, e ainda que meros suplentes, o que a região tinha de representatividade aqui em Brasília. Os sinais do declínio eleitoral de Souto e Ataíde eram visíveis, vide o histórico ainda recente das duas derrotas consecutivas nas últimas disputas eleitorais: além de não conseguirem se eleger nas eleições proporcionais de 2010, eles também, por coincidência, não passaram do primeiro turno na corrida pela Prefeitura de Montes Claros, em 2012.

Desta vez, o eleitor norte-mineiro mandou para a Câmara dos Deputados a inexperiente Raquel Muniz (PSC), primeira-dama em Montes Claros – que ainda precisa mostrar serviço para ser reconhecida com representante de todos os norte-mineiros e não apenas um braço auxiliar para a gestão do marido e atual prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz (PRB).

Esperança, ainda que tardia