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O DINHEIRO DA PONTE

No Sexta, 22 Setembro 2017 10:11.

A previsão de investimento anunciada por Fernando Pimentel para a construção de ponte sobre o Rio São Francisco na rodovia MG-402, na altura da ligação os municípios de São Francisco e Pintópolis, é de R$ 105 milhões e não de R$ 51 milhões que apontei aqui em texto sobre o assunto, em primeira mão, no texto de véspera da viagem da comitiva do governador ao Norte de Minas. O valor anterior era mera estimativa do custo da construção da ponte aina na fase pré-projeto. Se ficar nisso, já estará de bom tamanho.

No Brasil, como é de conhecimento até das piabas que por enquanto ainda vicejam no fundo do Velho Chico, previsões de gastos para obras públicas não tem valor de face – invariavelmente, elas sobem entre a concepção do projeto e a finalização do empreendimento. Isso, quando eles são concluídos. No caso da ponte sobre o São Francisco a urgência pela conclusão da obra conta ainda com outro imperativo de urgência: se demorar, será desnecessária. Daqui a pouco será possível atravessar o leito do rio a pé em boa parte do ano, caso persista o atual regime da falta de chuvas.

Estranha no ninho

A deputada federal Raquel Muniz (caso não tenha mudado de partido como muda de vestidos, ainda é do PSD) apareceu no ato de pré-campanha do governador Pimentel em São Francisco, na terça-feira. No dia seguinte, seu jornal estampava curiosa manchete em que se sugeria que a deputada era a madrinha da ponte entre Pintópolis e São Francisco. A deputada do inesquecível ‘sim, sim, sim’ pelo impeachment da esquecida ex-presidente Dilma Rousseff parece ter entrado numa luta de vale tudo em busca da sua complicada reeleição a um segundo mandato. Menos, Raquel. Menos.

E a ponte entre Manga e Matias Cardoso?

Quem também tenta tirar uma casquinha com o anúncio da construção da Ponte em São Francisco é o deputado estadual Paulo Guedes. No caso dele, com mais justeza entre o ato e o propósito, afinal é o seu governo quem anuncia a medida. Os adversários do petista, no entanto, tentam retirar seu eventual mérito no assunto com a lembrança de que essa ponte deveria ter sido construída entre Manga e Matias Cardoso, território de origem de origem política do parlamentar. O projeto da ponte entre Pintópolis e São Francisco precede Manga-Matias, que ainda encontra-se na fase de elaboração do projeto básico. Os críticos de PG têm razão em um ponto: duas pontes sob o São Francisco no intervalo de um mesmo governo seria melhor que a encomenda e dificilmente vai acontecer.

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GUINADA NO PT NORTE-MINEIRO

No Segunda, 18 Setembro 2017 16:38.

Gabriel Guimarães desiste da política e abre caminho para Paulo Guedes ir a federal

O deputado estadual Paulo Guedes (PT) acaba de aplainar a estrada que poderá facilitar seu projeto de chegar à Câmara Federal, aqui em Brasília. Por meio de acordo político que acaba de fechar com o ex-deputado federal Virgílio Guimarães, e seu enteado, o atual deputado federal Gabriel Guimarães, ambos petistas, Guedes deverá disputar uma vaga para a Câmara dos Deputados em 2018 sem o peso de uma disputa no intramuros do petismo.

Deputado federal em segundo mandato, o advogado Gabriel Guimarães (D) deve deixar a política para se dedicar ao escritório de advocacia que mantém em Belo Horizonte. Gabriel, que atua no segmento da advocacia administrativa e tem grandes empresas na sua carteira de clientes, teria chegado à conclusão de que estava na carreira errada. Essa seria a versão oficial para a saída de cena de GG, mas também teria pesado o fato do seu nome ter aparecido em conversas de executivos da JBS gravadas pelo Polícia Federal – numa delas, ele conversa em tom amigável com Aécio Neves, o arquirrival do petismo em Minas.

Gabriel, claro, não é citado em nenhum processo e tampouco tem quaisquer de suas condutas investigadas até aqui, nas, ainda assim, parece seguir estratégia parecida daquela adotada por pai, Virgílio Guimarães, que saiu dos holofotes um pouco antes da consolidação dessa via crucis que ameaça o PT com a extinção, ainda a tempo de assistir de camarote às temporadas na prisão de antigos companheiros como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e, por último, Antonio Palloci, o traíra.

Nos termos do acordo político firmado por Paulo Guedes com os Guimarães, o ex-deputado Virgílio vai disputar uma cadeira para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Dá-se aqui uma curiosa inversão de papéis: foi Virgílio Guimarães o grande responsável por levar Guedes para a cena política estadual, em dobradinha eleitoral em que aparecia como candidato a deputado federal.

Ficha limpa

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A PONTE DO SÃO FRANCISCO

No Segunda, 18 Setembro 2017 10:43.

Pimentel pode autorizar obras da ponte entre Pintópolis e São Francisco nesta terça-feira

Expectativa do mundo político no Norte de Minas para o anúncio que o governo estadual deve fazer nesta terça-feira (19) para o lançamento do edital de licitação para a escolha da empresa que vai construir a ponte sobre o Rio São Francisco, na altura da rodovia MG-402, no trecho entre São Francisco e Pintópolis. O governador Fernando Pimentel vai à região amanhã, quando também anuncia mais um desses programas de intenções do governo, desta vez na área da eficiência energética voltado para o semiárido mineiro. 

Pimentel deverá anunciar, durante sua fala, que vai liberar os cerca de R$ 50 milhões orçados para a construção da ponte em São Francisco, que facilita o acesso dos norte-mineiro aqui para Brasília e todo do Centro-Oeste do país. O deputado estadual Paulo Guedes (PT) acompanha o governador na visita a São Francisco e espera dividir os louros do anúncio.

É a proximidade do ano eleitoral, dirão os adversários. E talvez seja mesmo. Mas é fato também que uma decisão quando chega ao estágio da autorização para a realização da obra é quase irreversível em caso de derrota do atual grupo que ocupa o Palácio Tiradentes.

Impulso na economia

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FALTOU PANO PRA MANGA?

No Sexta, 08 Setembro 2017 13:08.

Oposição alivia para Quinquinha, o ímprobo, e Luiz do Foguete vê o cavalo para o poder passar arreado

A primeira cassação do mandato do prefeito de Manga, Joaquim Oliveira, o Quinquinha do Posto Shell (PPS), chega ao segundo mês na próxima segunda-feira, 11, e nada da maioria oposicionista na Câmara de Vereadores agir na direção de tomar a atitude que dela se esperava. A saber: abrir a comissão processante ou algo que o valha contra o prefeito condenado pelo juiz titular da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Manga, João Carneiro Duarte Neto, a três perdas do mandato.

Quinquinha, como se sabe, acumula agora três perdas de mandato e de suspensão dos direitos políticos por 14 anos, além de multas e devolução dos valores pagos indevidamente pelo município à empresa Transporte Fluvial Oliveira, proprietária da balsa Ninfa da Índia, durante os anos de 2008 a 2012, e ao escritório de advocacia Menezes Consultores Advogados Associados, de Montes Claros. Você pode conferir os relatos sobre o assunto aqui e aqui.

Os vereadores Cassilia Rodrigues de Souza, a Cassilia da Assistência Social, Anderson Cesar Ramos, o Som Nogueira, e Israel Jarbas Pimenta, o Bio, todos do PSB, José Carlos Mendes Gonçalves, o Macalé da Agropasto, Bento Ferreira Goncalves, os dois do PR, além do atual presidente da Câmara, João França Neto, o Dão Guedes (PT), devem explicações à população de Manga sobre os motivos que os levaram a aliviar para lado do prefeito Quinquinha, duramente acusado de improbidades administrativas ao realizar pagamentos para uma empresa de sua propriedade, a Balsa Ninfa da Índia, e os pagamentos irregulares ao escritório de advocacia do amigão Farley Menezes, aquele que, segundo o juiz João Carneiro Duarte, recebeu R$ 7,5 mil do município para uma palestra sobre a qual não há comprovação de que tenha efetivamente existido.

Os vereadores chegaram a se reunir em pelo menos três ocasiões nos últimos 60 dias. A primeira delas em Montes Claros, logo após a divulgação aqui pelo site da primeira condenação do prefeito, ainda no mês de julho. Posteriormente, teriam acontecido outros dois encontros em Belo Horizonte e Manga.

Tarefa complicada

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OUTRO FRACASSO À BRASILEIRA

No Terça, 29 Agosto 2017 08:16.

Volta e meia os brasileiros vivemos a ilusão de que nosso país vai finalmente encontrar o destino histórico a que, por alguma graça divina, estaria predestinado. Foi assim com a promessa da redemocratização, lá nos idos dos anos 1980, onda entusiasta que se repetiu via imprensa na década seguinte, com o fim do ciclo inflacionário. O Plano Real acabou com a ‘inflação galopante’, aquela que tanto mal fizera às parcelas mais pobres da população. Mas inflação alta, claro, não era ruim de todo – especialmente para a turma que apostava na ciranda financeira do país com os juros mais altos do mundo.

Em período mais recente, a operação Lava Jato prometia ser a panaceia da vez, a porção milagrosa que finalmente nos redimiria a todos – com o prêmio extra de mandar para a cadeia os figurões responsáveis pela corrupção que contaminou as estruturas do setor público com o vírus da corrupção de alto a baixo.

A Lava Jato, segundo os entendidos, tem sido o fato mais importante em 500 anos de história pátria – o momento em que, enfim, a Nação faria a guinada em direção à terra prometida de mais igualdade e justiça.

Não é nada, não é nada vai ficando mais ou menos claro que a mani pulite de gente como o juiz federal Sérgio Moro e outros paladinos dos bons costumes na lida com a coisa pública também tem seus limites. A esperada reação contra a Lava Jato se fez mais clara quando a limpeza dos costumes nacionais bateu nos costados de gente poderosa, casos da cacicaria do PMDB e do PSDB, entre eles o notório e insepulto cadáver político do senador Aécio Neves e suas inconfidências mineiras daquele bate-papo com os goianos da JBS.

Por falta de provas, seja por delações que não entregaram o prometido ou resultado de processos mal conduzidos, gente como o próprio Aécio, Jarbas Vasconcelos, Valdir Raupp, José Sarney, Paulo Hartung, Dilma Rousseff, Marta Suplicy, Fernando Pimentel, entre outros, deixarão de prestar contas dos seus malfeitos.

Os movimentos para barrar a Lava Jato repetem por aqui o que já acontecera na Itália, com a operação Mãos Limpas, ou Mani Puliti. Gente graúda articula nas sombras a reação, parte dela via Congresso, para impedir o avanço da Lava Jato, em óbvia contraofensiva às investidas do Judiciário sobre a classe política.

O parlamento cozinha em fogo brando algumas reformas emergenciais para tornar sem efeito as investigações em curso – entre elas os freios legislativos com previsão de punição para casos de abuso de autoridade, com foco no Ministério Público e juízes. Noutra frente, deputados e senadores tentam aprovar a reforma política que simplifica os caminhos da reeleição – como estratégia para garantir o foro privilegiado.

A Lava Jato pode ser mais um rio que passou em nossas vidas, sem, no entanto, cumprir suas promessas de tempo novo. A operação foi o melhor que já tivemos em 130 anos de República, mas é inegável que, em parte, é também responsável pela paralisia que tomou conta da economia e provoca um inédito processo de empobrecimento do país, com reflexos nesses 14 milhões de empregos perdidos – parte deles, claro, jamais será recuperada.

Seria o preço a pagar...