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QUINQUINHA PEDE VOTO E JOAQUIM GOVERNA

No 16 Março 2017.

Prefeito de Manga adota no cargo nome diferente daquele utilizado na urna e palanque eleitorais

O antes e o depois: o candidato Quinquinha agora é o executivo Joaquim Oliveira retratado nos textos do blog chapa branca 'Manga em Foco'. Ao contrário do candidato, prefeito se cerca por assessores e a liturgia do cargo 

'Vaidades das vaidades. Tudo é vaidade’, já dizia o Eclesiastes há coisa de uns 3.000 anos. O prefeito de Manga, Joaquim de Oliveira Sá Filho, o Quinquinha de Quinca de Otílio (PPS), não gosta do seu nome no diminutivo. Ele optou por ser chamado de ‘Joaquim Oliveira’, forma de tratamento que tem sido utilizada pelo blog chapa branca que sua assessoria especializada mantém na internet desde 14 de janeiro – duas semanas após a posse do atual e ainda sub judice prefeito de Manga.

É óbvia a metamorfose onomástica entre o candidato que pretendia se mostrar ‘mais humano’ e próximo do eleitorado com o agora prefeito ‘Joaquim Oliveira’, o executivo que aparece de terno e gravata nas fotografias daquele mesmo blog chapa branca. A mudança, que afasta o prefeito do dia a dia das pessoas comuns, especialmente os mais simples e de baixa escolaridade, teria, segundo fontes ouvidas pelo site (e por episódio do qual participei), sua explicação e razão de ser.

O prefeito nunca gostou do que avalia ser corruptela do seu prenome. Ainda assim, o apelido Quinquinha não é apenas o diminutivo do seu nome: é a forma como sempre foi conhecido, desde os tempos da sua passagem pela região de origem ali entre Miravânia e as Panelinhas I e II, localidades que se emanciparam de Manga há coisa de 25 anos.

Segundo uma fonte, Quinquinha de Quinca de Otílio avalia como pejorativa a fórmula encontrada pelo povo simples e sertanejo para diferenciar o seu nome e imagem públicos do nome do pai Joaquim de Oliveira Mota, o Quinca de Otílio. No interior do país, e mais fortemente no semiárido, é muito comum as pessoas serem designadas com o aposto dos nomes de pais, maridos e mulheres. Dona Maria de ‘seu’ Joaquim... E por aí vai.

Quinquinha de Quinca de Otílio é muito cioso da sua imagem política. Ele seguiu a risca o conselho do seu consultor para usar camisas azuis durante a campanha política. Sugeriu ainda aos candidatos a vereador com quem tinha mais sintonia, além do vice-prefeito, Luiz Carlos Santana Caíres, o Luiz Fogueteiro (PRB), que fizessem o mesmo. Os ‘camisas azuis’ identificavam em palanque o time do candidato 23 (o número do PPS na urna eleitoral). A estratégia, nunca é demais repetir, foi copiada das campanhas tucanas país afora. Nada de novo sob o sol, também já dizia o Eclesiastes.

Durante reuniões com pré-candidatos a vereador, no período de formação das chapas com vistas às eleições do ano passado, ele fez uma espécie de preleção em que dava conselhos sobre como os aspirantes a uma vaga na Câmara de Manga deveriam se comportar e vestir. A fala foi confirmada por dois participantes do encontro.

Críticos do prefeito atribuem essa mudança do tratamento mais popular utilizado na cédula eleitoral e no palanque da eleição do ano passado como um jeito encontrado pelo agora prefeito ‘Joaquim Oliveira’ de se distanciar do candidato ‘Quinquinha’. Ele só teria utilizado o apelido do qual não gosta em sua propaganda eleitoral porque sabia que dificilmente seria reconhecido pelo asséptico e distante ‘Joaquim Oliveira’, que ninguém sabe quem é. 

Liturgia do cargo e o vento que passa...

Nada de novo sob o sol, não custa repetir. Durante seus mandatos anteriores (2007/2012), recebi uma visita de Quinquinha aqui em Brasília. Durante nossa conversa, no hall de entrada de um hotel aqui do Setor Hoteleiro Norte, durante o ano de 2010, ouvi dele um surpreendente pedido. Queria que eu deixasse de usar o nome ‘Quinquinha’ nos textos que escrevia sobre atos da sua gestão no meu site.

Argumentei que o pedido era descabido, já que toda a população de Manga o reconhecia pelo diminutivo do seu nome, que representava uma espécie de marca registrada e de fácil apelo eleitoral Ele então arriscou uma explicação que, em síntese, dizia o seguinte: o apelido Quinquinha não era condizente com a posição e a liturgia do cargo de prefeito. O blog ‘Manga em Foco’ parece ter capturado a diferença e evita chamar o ‘chefe’ in pectore pelo apelido de campanha. Vaidade das vaidades.

As preferências do prefeito de Manga sobre como devem chamá-lo é assunto da esfera privada, dirão os áulicos de sempre, que os há para tudo. Só que não. Quinquinha de Quinca de Otílio é figura pública desde que disputou o cargo de vice-prefeito na chapa de Humberto Salles nas eleições municipais de 2004. Nessa condição, seus atos estão sob o escrutínio do público.

A mudança do nome de campanha para o ocupante da cadeira de prefeito não é coisa pequena. No mínimo, acentua o já natural afastamento do candidato sempre acessível e gentil para o perfil do executivo, sem tempo e paciência para ouvir o que o eleitor teria a lhe dizer. Muda-se o nome para mudar o discurso. O Quinquinha que entrava de casa em casa durante a campanha, quando até arriscava sorrisos para o eleitor, se transmudou no prefeito distante, sempre cercado por assessores e quase inacessível, dono agora do semblante mais carregado com que aparece nas fotos do blog companheiro.

Procurado via e-mail e aplicativo instantâneo de mensagens o prefeito Quinquinha de Quinca de Otílio não respondeu aos nossos questionamentos sobre o assunto até a publicação deste post.

Comentários  

+4 #1 Wagner Madson Carnei 16-03-2017 18:27
Isto nao e novidade, próprio blogueiro ja o batizou de tantos nomes neh!!! quinquinha da balsa, joaquim do posto shell e agora o mais novo Quinquinha de Quinca de Otílio, vc mesmo o ensinou isto!!!cade as noticias do Deputado PP?
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