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ASFALTO DA BR-135 R$ 110 MILHÕES MAIS LONGE

No 06 Julho 2017.

Dnit promete licitar obra, mas não tem dinheiro em caixa para retomar asfalto entre Manga e Itacarambi

Décadas de descaso, poeira e lama: Dnit vai autorizar obra do asfllato, mas não há dinheiro em caixa para a retomada  

O diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Valter Casimiro Silveira, recebeu, no seu gabinete, aqui na Asa Norte, uma comitiva de políticos e quejandos de municípios do extremo Norte Mineiro. A audiência tratou da continuidade da pavimentação da BR-135 no subtrecho de 48 quilômetros entre Manga e Itacarambi. Durante a audiência, Casimiro disse que sua autarquia pode começar o processo para licitar a obra até o mês de setembro. A notícia mereceria ser comemorada com muitos fogos de artifício, mas quase passa despercebida. Por quê? Incapaz de prover seus cidadãos de passaportes e todo o resto, o Estado brasileiro não tem dinheiro para tocar o projeto desse pequeno e esquecido trecho da estrada. 

Ainda que o Dnit dê o sinal verde para o asfalto, o governo federal não tem dinheiro para tocar a obra, que tem custo previsto de R$ 120 milhões. Se raspar os cofres, Casimiro diz que conseguiria destinar uns R$ 10 milhões para o empreendimento – e olhe lá. A pavimentação da BR-135 é promessa antiga, que já carreou baciadas de votos para Humberto Souto e Cleuber Carneiro em tempos mais remotos e, mais recentemente, para os petistas Paulo Guedes e Virgílio Guimarães.

Por questão de justiça, é preciso reconhecer que o asfalto avançou durante os governos do PT – hoje é possível sair de Manga e chegar à divisa da Bahia em estradas pavimentadas. No sentido contrário, em direção ao coração de Minas, o asfalto parou no tempo e na ineficiência da gestão pública no país.   

A BR-135 tem agora novos padrinhos. Os deputados federais Zé Silva (Solidariedade) e Toninho Pinheiro (PP) acompanharam a comitiva que veio bater perna aqui em Brasília na semana passada. Os parlamentares prometeram colocar o senador Antonio Anastasia (PSDB) no esforço para levantar os R$ 110 milhões que poderiam, finalmente, retirar a obra do papel. Ninguém mais cita o nome de Aécio Neves (PSDB), por motivos óbvios.

Uma das propostas que surgiram durante o encontro seria apelar para a boa vontade dos deputados mineiros com votação no Norte de Minas, para que eles indicassem a verba das suas emendas parlamentares para a estrada. Além de Zé Silva e Pinheiro, a força-tarefa incluiria ainda Raquel Muniz (PSC) e Gabriel Guimarães (PT).

Pouco provável que a ideia dê certo. Cada deputado pode apresentar até 25 emendas de execução obrigatória (as chamadas emendas impositivas criadas durante o governo Dilma Rousseff). O valor global de R$ 15,3 milhões para que cada parlamentar contemple as demandas que chegam das suas bases eleitorais. O problema é que Minas são muitas e os deputados dificilmente vão concordar em cobrir o santo da BR-135 no extremo norte-mineiro, região de baixa densidade eleitoral, e deixar outras regiões na planície dos sem-verbas. Mas não custa ter fé.  

O deputado estadual Arlen Santiago (PTB), que outro dia pagou o mico de 'inaugurar' o subtrecho trecho da rodovia federal entre Montalvânia e o povoado de Monterrei, também veio a Brasília, à frente do magote de lideranças, entre eles três prefeitos de municípios à margem da rodovia. Arlen veio, vejam só, reivindicar o asfalto. Com a proximidade das eleições para a Assembleia, Arlen é um político em busca desesperada por uma bandeira que renda alguns votos e tenta se posicionar como o novo 'dono' da BR-135.

 


BR-135: COMÍCIO DE ARLEN TERMINA EM FIASCO


O prefeito de Manga, Joaquim Oliveira, o Quinquinha do Posto Shell (PPS), também esteve aqui na capital federal, mas deve ter saído desestimulado do encontro. O assunto não aparece no Blog do Quinquinha, o ‘Manga em Foco’, onde o prefeito de Manga canta seus (poucos) sucessos no cargo em prosa e versos. Ele também tenta entrar no vácuo político da paternidade da BR-135 após o declínio dos petistas.

Caciques Xakriabás saem do caminho

Além da falta de recursos, a retomada do asfalto entre São João das Missões e Itacarambi enfrentaria, segundo duas fontes ouvidas pelo site, outro tipo de obstáculo: precisa contornar algumas condicionantes impostas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Explico: o asfalto da BR-135 foi concluído entre Januária e Itacarambi, há cerca de 30 anos, mas ficou pelo meio do caminho até chegar no povoado de Rancharia, em São João das Missões, na direção de Manga, ainda durante a passagem do ex-governador Newton Cardoso pelo Palácio da Liberdade.

Naquela época, a Funai embargou a obra com o argumento de que a empresa responsável pela construção do asfalto havia aterrado parte de uma lagoa que fica próximo do povoado de Rancharia, para conseguir facilitar o acesso de caminhões-pipa até o local. Os caciques da etnia Xakriabas disseram à Funai que não se opõe que o traça da rodovia passe em área da reserva, restrição que teria atrasado a pavimentação do trecho entre Manga e Itacarambi. Como gesto de boa vontade, eles concordam em extinguir o antigo processo de embargo pelo assoreamento da lagoa em Rancharia. A boa vontade dos caciques parece ter chegado tarde. O dinheiro para o asfalto estava garantido no PAC dos governos petistas, mas virou poeira após os sucessivos cortes no orçamento do governo federal.

O curioso é que, durante a gestão petista, o motivo para o embargo da passagem da BR-135 por São João das Missões, município-sede da reserva dos índios Xakriabás,  era outro: a rodovia passaria por cima de um antigo cemitério indígena da etnia. Mudam os governos, mudam os motivos para o asfalto não andar.  

 

Comentários  

0 #2 Wagner Madson Carnei 07-07-2017 20:31
como os cofres do estado nao tem este dinheiro, piada neh, o que sao 110 milhoes, em comparação ao que foi roubado por estes XXXXXXXXX políticos, inclusive o Aécio, cade a justiça deste pais, retira da conta dos políticos, o dinheiro do povo que eles roubaram!!



COMENTÁRIO MODERADO
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-2 #1 magno leal de souza 06-07-2017 20:29
Olá
Não se esqueça que o trecho da Br135 entre Monte rei e Montalvânia falta asfalto por 18km, na mesma Br 135 da divisa de MG e BA não tem asfalto até a cidade de COCÓS na Bahia e no trecho entre Coribe e Santa Maria da Vitória. Os políticos deveriam andar de carro ou ônibus, assim veriam as estradas de perto.
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