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CRISE POLÍTICA EM MANGA: MEIA DÚZIA POR 6?

No 20 Julho 2017.

Oposição avalia que fatos são graves, mas processo contra Quinquinha na Câmara depende de sinalização do vice

 Imagem de evento da campanha eleitoral mostra Quinquina, ao microfone, secundado pelo vice-prefeito às gargalhadas: a piada parece ter sido boa 

A crise política instalada com as duas novas condenações à perda de mandato do prefeito de Manga, Joaquim Oliveira, o Quinquinha do Posto Shell (PPS), mostrada com exclusividade ontem aqui no site, movimentou os bastidores da política local nas últimas horas. A oposição discute a possibilidade da abertura de comissão processante (o equivalente à CPI em âmbito municipal) para investigar os fatos narrados nas recentes sentenças do juiz João Carneiro Duarte Neto, titular da 2ª Vara Cível, Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Manga, João Carneiro Duarte Neto. O magistrado cassou o prefeito em três condenações consecutivas nos últimos 10 dias, além de torná-lo inelegível por 14 anos, no cômputo total das três penalidades (aqui e aqui).

Partidos de oposição como o PR, PSB e PT consideram “gravíssimos” os fatos narrados com riqueza de detalhes e provas anexadas aos autos dos processos que condenaram o prefeito, mas ainda não decidiram se vão quebrar lanças pela cassação política de Quinquinha via Câmara de Vereadores, com a abertura da CP e posterior processo de impeachment. O motivo? O vice-prefeito, Luiz Carlos Santana Caíres, o Luiz Fogueteiro (PRB), ainda não se mostrou confiável aos olhos da oposição, porque teria “queimado pontes” ao deixar o PT, em março do ano passado, com xingamentos aos antigos companheiros que o acolheram na sua estreia na política em 2012, quando foi o vereador mais votado do município.

Segundo um dos próceres da oposição, trocar Quinquinha por Luiz do Fogueteiro pode ser substituir seis por meia dúzia. Caso o vice tenha alguma aspiração a ocupar a cadeira do atual prefeito, ele vai precisar se mexer e mandar o primeiro sinal de fumaça para a oposição, que domina, pelo menos em tese, seis dos noves votos disponíveis na Câmara dos Vereadores – quórum suficiente para abrir o processo de investigação contra Quinquinha.

Além disso, o atual prefeito já teria se mostrado inviável pelos pecados cometidos em verões passados do primeiro mandato e a oposição poderia simplesmente deixar como estar para ver como é que fica e vê-lo 'sangrar' politicamente até o final do mandato.    

Uma fonte, que pede para não ter o nome revelado, diz que a cassação política via Câmara é mais factível do que a via judicial, apesar das duras sentenças proferidas pelo juiz João Carneiro Neto contra o atual prefeito. “Quinquinha cassou Humberto por causa da cor de uma geladeira e agora tem fatos muitos mais graves para se defender”, diz esse atento analista da política local.

Ainda assim, a estratégia traçada pensada pela oposição consiste em não ter pressa e não tomar nenhuma medida açodada em relação à abertura da comissão processante contra o prefeito. Qualquer medida nesse sentido deve ficar para agosto, após o fim do recesso parlamentar dos vereadores.

O presidente da Câmara, João França Neto, o Dão Guedes (PT), já tem em mãos uma minuta da denúncia contra Quinquinha, mas a ideia é realizar algumas rodadas de conversa antes de tomar qualquer medida.  

Pano pra manga

Até aqui, Luiz Fogueteiro tem se mostrado alheio ao tema, mas tem dado sinais de que pretende se afastar do companheiro de chapa, a quem, até outro dia mesmo, prestava admiração de súdito. Em agenda política no final de semana passado no distrito de Nhandutiba, quando “inaugurou” uma igreja e foi o convidado de honra de um casamento, Luiz Fogueteiro teria dito, segundo uma fonte, que está “pronto para assumir”, caso Quinquinha perca o mandato - o que não significa lá grande coisa, já que substituir a vacância do titular de um cargo é a razão de existir de qualquer vice.

Já há especulações em torno da hipotética (e por enquanto ainda distante) administração de Luiz Fogueteiro. O ex-vereador Eziquel Castilho (PRB) voltaria a mandar na Secretaria de Saúde, cargo que já ocupou após o golpe parlamentar que colocou o então vice-prefeito Quinquinha na Prefeitura de Manga, em 2008. A ex-secretária da Educação Edneida Mendes poderia voltar a ocupar a pasta da Educação, função que desempenhou com êxito durante boa parte da gestão do ex-prefeito Anastácio Guedes (PT).

Para resumir essa ópera mais do que bufa: Se Luiz Fogueteiro desejar mesmo ser prefeito, ele precisa dar o primeiro aceno na direção da oposição. Mas não é só. Precisa garantir ao menos o voto de um dos três vereadores da atual base aliada de Quinquinha, o que evitaria surpresas durante a votação do impeachment – se impeachment houver. Não é missão impossível.

O líder do prefeito na Câmara, vereador Evilásio Amaro (PPS), está em pé de guerra com Quinquinha, que resiste em demitir o ex-vereador Eziquel Castilho, protegido de Luiz Fogueteiro, de uma diretoria ligada à Secretaria de Saúde. A situação do prefeito na Câmara é mesmo muito ruim, a se levar em conta o placar das votações na reunião extraordinária da segunda-feira passada, quando os vereadores se reuniram para votar o pacote de férias da atual administração: só foram votados projetos em que havia consenso sobre o interesse para a população. Nos demais, Quinquinha só contou com dois votos em oito, já que Evilásio Amaro tem faltado às últimas reuniões. Muito pano para pouca manga.

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