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SE COBRIR VIRA CIRCO...

No 08 Dezembro 2017.

Pareceu fora de propósito zum zum-zum em torno da renúncia à vida pública do deputado-palhaço Tiririca. Ele não renunciou ao mandato, como muitos entenderam. Embora me inclua entre os simpáticos à ideia de que a democracia deva comportar certas bizarrices, como é o caso da atuação parlamentar de figuras como o próprio Tiririca, o ex-jogador Romário, o cantor Sérgio Reis, e tantos outros personagens de origem midiática, penso que a passagem, quase sempre obscura, dessa turma pelos corredores do Congresso Nacional é um desserviço ao país.

O leitor sempre pode argumentar que melhor um Tiririca com sua alma de pureza circense do que o comboio de bandidos em busca de foro privilegiado que abarrotam os corredores do Congresso. Vale como tese, mas receio que não é pedir muito que o eleito tenha contribuição a dar ao país. A despedida em tom indignado do deputado Tiririca soou falsa aos meus ouvidos sempre desconfiados. Após 7 anos de parlamento, não dá para o cara se apresentar como a virgem no puteiro.

A passagem do deputado-palhaço pelo parlamento só não foi de todo apagada porque ele apresentou projeto em que buscava incluir a atividade circense entre os setores beneficiados pelo amparo da Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Pleito justo, em um país sempre vergonhoso em todos os aspectos, mas também por entregar renúncia fiscal para grandes empresas – bancos incluídos - se autopromoverem como mecenas da cultura, para não falar do patrocínio oficial a shows de astros do show business internacional, com preço médio de ingresso na casa de R$ 1 mil.

No mais, Tiririca subiu à tribuna uma única vez, justamente na despedida, para dizer que deixa a política de ‘cabeça erguida’. Antes, já tinha insinuado em entrevista ao SBT que recebeu proposta pouco republicana para livrar Temer das duas denúncias de corrupção. Tiririca deixa o parlamente de estômago embrulhado, mas ficou a dever atitude mais corajosa de denunciar o que viu por lá.

Pelo menos, não nesse tom generalista que adotou nas suas falas recentes. Mas o Congresso é maios ou menos o que cantou Benito Di Paula em dias melhores sobre o Brasil. “Se cobrir, vira circo, se cercar, vira cadeia/ Essa vida é um trapézio, preso na cumeeira’. Tiririca não volta na próxima Legislatura. Falta não fará. O país já sai no lucro se a sua vaga não cair em mãos de gente muito mais perigosa que o palhaço arrependido de ter buscado outros picadeiros.

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