Regionais

QUINQUINHA E ARLEN ATOLADOS NA BR-135

No 12 Dezembro 2017.

Aliados, prefeito e deputado ‘compram’ causa do asfalto da rodovia e outra vez frustram sonho da população

 Imagens das visitas de Arlen, Quinquinha e aliados a Brasília para reivindicar a retomada das obras...   

... da BR-135 entre Manga e Itacarambi: promessas vazias e o povo na lama

Com a derrocada do petismo no plano federal após o impeachment de Dilma Rousseff, o prefeito de Manga, Quinquinha de Quinca de Otílio (PPS), e o deputado estadual Arlen Santiago (PTB) se apressaram em assumir a paternidade pelas obras de pavimentação da BR-135 entre Manga e Itacarambi, no extremo Norte de Minas. Arlen é um parlamentar em busca de uma causa desde que os tucanos perderam o mando político em Minas Gerais.

Arlen, que entende pouco de estrada, lama e poeira, porque cruza o Norte de Minas a bordo do seu helicóptero 'Águia Prateada', abraçou a causa da pavimentação da BR-135. Com isso, parece amarrar seu destino nas urnas, pelo menos naquela microrregião de pobreza, sofrimento e crença em promessas inúteis, à realização da obra da rodovia ainda federal - que não veio e dificilmente virá para a fatura eleitoral de 2018.

Ocupou nesse propósito o lugar do seu principal antagonista na política norte mineira, o também deputado estadual Paulo Guedes (PT), que em passado recente tinha seu nome associado à pavimentação da estrada, já concluída entre a divisa com estado da Bahia e Manga. A BR-135 ainda tem como padrinhos os deputados federais Zé Silva (Solidariedade) e Toninho Pinheiro (PP), que acompanharam as comitivas norte-mineiras nas audiências aqui Brasília.

O asfalto da BR-135 serve aos propósitos eleitoreiros de políticos há mais de três décadas. Agora chegou a vez de Arlen e Quinquinha reivindicarem para si o futuro da obra. Santiago se considera o dono do pedaço, porque os municípios de Manga, São João das Missões e Itacarambi, todos no trajeto da estrada que teve suas obras paralisadas durante os governos petistas, são administrados na atual quadra por aliados seus.

Arlen tem influência próxima do zero sobre os destinos da BR-135, já que não é deputado federal, mas, ainda assim, arregimentou lideranças regionais, entre elas o prefeito Quinquinha, para a empreitada de garantir a retomada do asfalto. Ciceroneados pelo deputado federal Toninho Pinheiro (PP), Quinquinha e Arlen estiveram em Brasília em diversas ocasiões ao longo de 2017, em visitas aos gabinetes aqui de Brasília, na tentativa de garantir a liberação da obra da reforma. Obra que, como mostrei aqui, não viria e nem virá pela falta que fazem os R$ 110 milhões necessários à sua continuidade. 

Quinquinha e Arlen abraçaram a bandeira da BR-135 e agora são o endereço da insatisfação dos motoristas que entra ano e sai ano enfrentam a poeira e o barro da travessia entre Manga e Itacarambi. Bastou chover, para que o trecho da estrada ficasse intransitável. O prefeito e o deputado precisam explicar porque a obra não saiu. A paternidade não é bem vista, como mostrou o fracasso da ‘inauguração’ do subrecho da estrada entre Montalvânia e o povoado de Monte Rei, em junho deste ano, quando prefeito e deputado foram recepcionados em uma praça praticamente vazia (aqui).

Desmembramento

Na última notícia que divulgaram sobre o assunto, o deputado e o prefeito relataram encontro com o ministro dos Transportes, Maurício Quintella, no início do mês de novembro, quando foi sugerido o reinício do asfaltamento “pelo menos do trecho de 19,5 quilômetros que liga Manga a São João das Missões”. Essa notícia nem chega a ser original. Já havia sido anunciada aqui neste Em Tempo Real em março de 2014, só que pela boca dos deputados Paulo Guedes e Gabriel Guimarães (aqui).

Toda vez que passeiam por Brasília, Quinquinha e Arlen não dispensam a comitiva formada por lideranças políticas de São João das Missões e Itacarambi. O magote de políticos em nada acrescenta o peso da reivindicação, mas custam caro para os eleitores dos seus municípios, que pagam as diárias para a turma visitar a capital da República. O problema real para a BR-135, além da conhecida falta de dinheiro e da dependência da boa vontade da tribo indígena Xakriabás para liberar a passagem do traçado da rodovia dentro da reserva localizada em São João das Missões, é o fato de que a licença ambiental para todo o trecho vai vencer daqui a três semanas.

Mas não é só. A responsabilidade pela gestão da rodovia pode voltar para o domínio do governo mineiro. Arlen e Quinquinha agora são os donos da luta pela pavimentação da BR-135 no extremo norte-mineiro. Se conseguirem, o que parece cada vez menos provável, terão feito movimento político de peso. Em caso contrário, serão os novos alvos da fúria das pessoas que há três décadas se decepcionam com promessas não cumpridas. Nada indica que agora será diferente. Prefeito e deputado estão atolados por se aventurar em seara sobre a qual têm pouco espaço de decisão.

Procurados por e-mail e aplicativos de mensagem instantânea nem o deputado nem o prefeito retornaram aos pedidos de informações sobre a previsão da licitação da obra e o vencimento iminente da licença ambiental que possibilitaria sua retomada. 

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