GRUPO DE SERESTA JOÃO CHAVES CHEGA AOS 45 ANOS EM ATIVIDADE

 Texto: Nágila Almeida/Foto: Divulgação
 
O médico, historiador e cantador João Chaves empresta seu nome para o mais antigo e atuante grupo de serestas do norte de Minas. Chaves viveu numa época em que o Brasil estava apaixonado pela música romântica, caracterizada pela seresta. O Grupo de Seresta João Chaves foi criado em 1967, quando Hermes de Paula juntou músicos, cantores e amantes da música nostálgica para a formação inicial do conjunto. O aniversário de 45 anos do “João Chaves' será comemorado nesta quinta-feira (19/4) com a apresentação d Grupo no Bar Free Chopp, no Bairro São José, em Montes Claros.

“A seresta sempre estará viva nos corações apaixonados. As músicas seresteiras foram feitas para ser cantadas em noites enluaradas. Sucessos como o “Bardo”, composta por Silva Reis, falam de amor ou de tristeza, mostram a pureza de tempos que não voltam mais”, destaca Adelcio Saraiva, no grupo há 33 anos.

O marco inicial da carreira do “João Chaves” foi a vitória no primeiro concurso de serestas do qual participou, em Ouro Preto. Logo depois, eles gravariam o primeiro disco e e não demoraria para a fama chegar. Eram inúmeros convites para apresentações em festas, missas, casamentos e saraus por toda Montes Claros, além de outras cidades brasileiras e até mesmo no exterior, com apresentação em Buenos Aires, na Argentina. Uma passagem marcante da seresta foi quando cantaram em versos um pedido para o asfaltamento da BR-135, na década de 60, diretamente para o presidente Costa e Silva, em Brasília (DF). Claro que o pedido foi acatado.

Desde a década de 70, foram inúmeros os poetas, músicos e cantores que encheram de sons as madrugadas montes-clarenses: João Chaves, Hermenegildo Chaves, Hermenegildo Prates, Pedro Mendonça, Tonico Mendonça, Tonico Faria, Donato Quintino, Elpídio César, José Maria Fernandes, Manoel Silva Reis, Agostinho Guimarães, entre outros. No entanto, esse romantismo estava meio esquecido. Um dos maiores patrimônios culturais de Montes Claros, o Grupo de Seresta João Chaves, ficou um período sem cantoria. Foi aí que, em 2006, o empresário Jamil Curi estimulou a retomada das atividades. Através de shows gratuitos em bares locais e de outras cidades, levaram à população momentos de nostalgia e encanto, relembrando grandes sucessos que marcaram as noites enluaradas do sertão norte-mineiro. As modinhas voltaram a fazer parte da vida de todos. E seus poetas e autores devidamente reconhecidos.

Nesses 45 anos, diversos seresteiros emprestaram suas vozes e instrumentos ao grupo. Muitos o deixaram para tocar no céu, como Nivaldo Maciel, Luis Procópio, Gilberto Câmera, Adélia Miranda, Mafalda Mafra, Beto Viriato, Denise Vilela. Outros seguiram outra história, como a cantora Maristela Cardoso, Rogério Botelho, Terezinha Fróes, e Clarice Sarmento. Hoje, o grupo é composto por novos e antigos, mostrando que a seresta continua forte e cantada bem alto. São eles: Adelcio Saraiva, há 33 anos no grupo; Terezinha Jardim, há 35 anos; Ademar Toledo, 33  anos; Alice Navarro,  28  anos;  Luiz Porfírio, 33 anos no grupo; Dona  Josefina de Paula, há 45 anos no grupo e os integrantes mais recentes: Marta Marcondes, Hélio Saraiva, Neide Saraiva, Marlene Oliveira, Marlene Cunha, Leila Geny, Carmina Correia, Fernando Ramos e Ney Gonçalves.

Em julho de 2011, o Grupo de Seresta João Chaves lançou o primeiro CD, uma coletânea inédita para os amantes de modinhas e clássicos. Com o apoio cultural da Fiemg e do empresário Jamil Curi, o CD “Vozes em Serenata” foi gravado em estúdio com o objetivo de levar o estilo para o maior número de pessoas. O instrumentista Luiz Porfírio integra o grupo desde 1978. Ele espera que “venham outros 45 anos, que todos possam saborear canções que marcaram e ainda marcam a vida de várias gerações. A seresta estará sempre viva nos corações”. Os amigos, membros desse grupo de Seresta, ainda se reúnem para os ensaios, todas as terças, na casa de Dona Fina, viúva de Hermes de Paula, fundador do grupo.

Adicionar comentário