CAIU A CASA PARA CORBY: PF PRENDE INTOCÁVEL

Empresários januarenses e servidores públicos são acusados de desvio de recursos públicos em prefeituras do Norte de Minas

### Operação começou na madrugada em Minas, Bahia e Espírito Santo. Cerca de 15 pessoas são presas por fraudar processos licitatórios

ATUALIZADO

Pode-se dizer que a cidadania norte-mineira vive hoje um dia de graça. Os empresários Marcos Vinicius Crispim, o Corby (à direita, na foto ao lado), e João Teles, dono da Cerâmica João de Barro, de Januária, foram presos na manhã desta segunda-feira (27) em operação da Polícia Federal que envolve ainda servidores públicos acusados de desvio de recursos públicos em municípios do Norte de Minas, na Bahia e No Espírito Santo. 

As prisões foram feitas em Montes Claros, São Francisco, Itaracambi, Januária, e Janaúba, no norte-mineiro; Vitória da Conquista e Prado, na Bahia; e em Guarapari, no Espírito Santo. As apurações da Polícia Federal apontam um desvio que pode superar a quantia de R$ 5 milhões.

O Ministério Público, que também participa da ação, conseguiu na Justiça autorizações para a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, bem como a indisponibilidade dos bens das pessoas físicas e jurídicas envolvidas. Foi preso ainda o atual secretário de Finanças do município de Itacarambi, André Rodrigues Rocha (na foto ao lado) – que teve papel destacado na gestão do ex-prefeito Maurílio Arruda (PTC), onde chegou a ocupar a Secretaria de Saúde. O ex-procurador da gestão do ex-prefeito de Januária Sílvio Pereira, Vandeth Mendes de Jesus também foi preso. Há ainda outros detidos, mas os nomes não foram divulgados pelo comando da operação.

Em entrevista coletiva que terminou agora há pouco na sede da Polícia Federal, em Montes Claros, o delegado Marcelo Freitas Reis deu detalhes sobre a participação dos envolvidos. Para Freitas, o empresário Corby é o mentor do esquema criminoso que desviava dinheiro de prefeituras da região.

Os presos responderão por crimes contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, dentre outros. Em dois anos, essa é a décima operação de combate ao desvio de recursos públicos foram deflagradas pela Polícia Federal na região.

Informações preliminares da Polícia Federal dão conta que serão cumpridos 45 mandados judiciais. A operação foi de Sertão – Veredas, em referência à obra do escritor mineiro Guimarães Rosa (publicado em 1956). Derivada da expressão latina veredus, o nome atribuído à ação representa, segundo a PF, o estreito caminho a ser seguido no combate à corrupção pública.

Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, 21 mandados de sequestro de valores, bens móveis e imóveis e 14 mandados de prisão. De acordo com a Polícia Federal, a quadrilha, formada por empresários, servidores públicos e agentes políticos, atuantes, principalmente, em Januária e Itacarambi, fraudava processos licitatórios, direcionando as contratações para as empresas integrantes da organização criminosa.

Licitações viciadas...

O esquema supostamente montado por Corby fraudadas obras públicas em áreas diversas da construção civil, pavimentação de vias públicas, manutenção de estradas e de locação de máquinas para a limpeza urbana. Segundo o Ministério Público, que também participa da operação, em muitos casos esses contratos sequer fiscalizados porque os servidores públicos corrompidos pelas quadrilhas emitiam documentos em que atestavam a conclusão dos serviços mesmo que ainda incompletas ou não realizadas .

A contrapartida que esses empresários ofereciam aos servidores e agentes políticos corruptos era a emissão de notas fiscais frias sobre trabalhos que não foram executadas ou então em desacordo com as especificações do projeto. Ainda de acordo coma Polícia Federal, as verbas desviadas eram aplicadas em bens, móveis e imóveis, localizados em outros estados brasileiros,e colocados em nome de outros empresários e de “laranjas”, ligados aos principais membros da organização criminosa.

Uma das frases mais famosas do romance 'Grande Sertão - Veredas', que serviu de inspiração para nomear a operação desta madrugada, é bem oportuna para o caso em tela: 'viver é muito perigoso', repetia Guimarães Rosa. As pessoas arrestadas hoje pela Polícia Federal parecem ter levado essa máxima ao paroxismo, embora às custas da radicalização da miséria em nossos sertões. Ainda Rosa: "E me inventei neste gosto, de especular ideia. O diabo existe e não existe? Dou o dito. Abrenúncio". Uma dia a casa cai no meio do tal redemoinho e a cidadania norte-mineira está de alma lavada. Mesmo que o nada dê em nonada.

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