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Em Januária é cada um por si e salve-se quem puder

Foto: José Maria Guedes

O prefeito de Januária, Manoel Jorge (PT), é um sujeito pragmático. Moldado nos preceitos do antigo método ‘ver, julgar e agir’ da prática pastoral católica, ele também mostrou-se eclético em suas alianças desde que ingressou na política partidária.

Após duas derrotas na tentativa de chegar ao mando em Januária, o petista parece ter aprendido a transitar entre contrários, no que julga ser o melhor meio de agir ante as circunstâncias por vezes adversas das lides políticas. Por pragmático e eclético, Manoel realizou o sonho de ser prefeito de Januária. Chegou lá no bojo de uma aliança muito improvável entre caciques regionais. Para certos fins, que importam os meios?, já dizia um certo Nicolau Maquiavel.

Ao longo desses dois anos de mandato, o petista tem conseguido equilibrar os interesses dissonantes dos deputados Arlen Santiago (PTB) e Paulo Guedes (PT), aliados da atual administração januarense, mas desafetos entre si. Na atual campanha eleitoral, e no melhor estilo Zeca Pagodinho, o prefeito de Januária tem deixado a vida lhe levar: não abraça como causa própria nenhuma das candidaturas, embora, oficialmente, mantenha apoio declarado ao companheiro Paulo Guedes. Por eclético, abre espaço para o companheiro Padre João correr por fora da raia e buscar seus votinhos no município (foto).

Pelo ritmo atual, o que se especula é que não será grande surpresa caso Arlen Santiago consagre-se majoritário nas eleições de 5 de outubro no maior colégio eleitoral comandado pelo PT em todo o Norte de Minas. Manoel repete o jeito ‘manoelmolente’, de ser nesta disputa eleitoral, agora também em versão laissez-faire, porque sabe da necessidade de ter um deputado aliado no Palácio Tiradentes, na hipótese, a cada dia mais remota, de que o PSDB possa vencer as eleições no Estado.

No melhor estilo não importa a cor do gato, desde que ele pegue o rato, há em Januária quem avalie que Paulo Guedes não seria a melhor opção na tentativa de conseguir alocar recursos estaduais para Januária caso os tucanos mantenham o mando político no Estado – como, aliás, já acontece hoje. Os principais investimentos no município são tocados com recursos do Estado, ainda que tenham como fonte a União em alguns casos.


“Não dá para pensar que vamos isolar todo mundo e governar sozinhos. A aproximação com o governo estadual é necessária para garantir a governabilidade de um município que enfrenta 20 anos de crises administrativas e de maus governos”, dizia Manoel Jorge em entrevista a este site em agosto de 2012, quanto ainda estava em campanha pela Prefeitura de Januária.

Manoel Jorge talvez não precisasse se dar ao trabalho de equilibrar os pés em duas canoas. A pesquisa Ibope divulgada ontem mostra o candidato petista Fernando Pimentel com 20 pontos porcentuais de vantagem sobre o tucano Pimenta da Veiga. Fosse hoje, a eleição em Minas seria liquidada no primeiro turno – o que isentaria Manoel Jorge de depender dos préstimos de despachante do aliado Arlen Santiago. Mas o petista januarense segue divido entre o que é o que pode vir.

A recepção oferecida por Manoel Jorge à visita a Januária da caravana do candidato a senador e empresário Josué Alencar (PMDB), na semana passada, não foi lá das mais animadas. O prefeito petista foi ao novo aeroporto da cidade recepcionar o candidato Josué Alencar, acompanhado por meia dúzia de gatos pingados: alguns secretários municipais e a presidente do diretório do PT em Januária, Lenice Nunes.

Base aliada

Candidato toma ‘banho de povo’ em visita ao Norte de Minas

Josué ao lado do deputado Paulo Guedes durante evento político em Montes Claros: empreitada com incentivo de Lula não convenceu eleitor mineiro

O norte-mineiro Darcy Ribeiro disse certa vez um dia que o Senado da República é melhor que o céu, pois não é preciso estar morto para chegar lá. Estimulado por Lula, o empresário Josué Alencar (PMDB) sonha com o acesso a este pedaço do paraíso aqui na terra. Precisa dos votos dos mineiros para chegar lá e, tudo indica, não será desta vez.

Agora que a campanha entra em sua fase decisiva, e o ex-governador Antonio Anastasia (PSDB) lidera a disputa senatorial com 44% das intenções de voto. Josué tem 12%, segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada.

O dono da Coteminas foi ao Norte de Minas na sexta-feira (12) para um corpo a corpo com o eleitor em quatro cidades. Foi ciceroneado pelo deputado estadual Paulo Guedes (PT) e literalmente tomou um banho de povo e de rua. Josué ainda não demonstra traquejo para a política. Parece um estranho no ninho e pouco afeito ao universo das promessas fáceis e aos abraços e tapinhas no ombro. Ele vem de experiência mais cartesiana, por assim dizer.

Aprendizado

Evilásio quer cassar mandato de Gil Mendes por quebra de decoro

Os vereadores Gil e Amaro: oposição não fala a mesma língua

O serviço jurídico da Câmara Municipal de Manga avalia requerimento em que o vereador Evilásio Amaro (PPS) pede abertura de processo de cassação do colega Gil Mendes de Jesus, o Gil do Conselho Tutelar (PP), por suposta quebra de decoro parlamentar. Na petição, Amaro alega que Gil Mendes teria lançado mão de ‘palavras de baixo calão’ para atacar a sua honra e de alguns colegas durante pronunciamento no plenário da Casa no início do mês de agosto.

O presidente da Câmara, Leonardo Pinheiro (PSB), aguarda parecer jurídico para dar encaminhamento à matéria. A tendência, no entanto, é que Gil Mendes receba apenas uma advertência e, no limite, suspensão do exercício das atividades parlamentares por determinado período.

O vereador Gil Mendes pediu a palavra durante o grande expediente da reunião extraordinária realizada na quarta-feira, 6 de agosto, para fazer um duro pronunciamento contra o colega Amaro, de quem cobrava explicações sobre a autoria de boatos que circularam na cidade, dando conta de que, ele Gil, teria pedido R$ 7 mil para colocar a sua assinatura no requerimento que pede a instalação de CPI para apurar denúncia de que o microempresário manguense Silvano Ferreira de Souza teria sido usado como ‘laranja’ em contratos de prestação de serviço para o município na atual gestão. Veja mais detalhes no link ao final deste post.

Oposição dos sonhos

Matérias sobre o tema tramitam na pauta de comissões do Senado

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe o trabalho de crianças com menos de 16 anos, salvo na condição de menor aprendiz, a partir dos 14 anos e com o devido acompanhamento. Apesar disso, pesquisas indicam que ainda há muitas crianças servindo de mão de obra, nas mais diversas funções. Estudo da ong inglesa Plan International apontou, por exemplo, que 14% das meninas de 6 a 14 anos, no país, trabalham ou já trabalharam.

A garantia do direito à educação e ao lazer e a erradicação do trabalho infantil são os objetivos de projetos que tramitam no Senado, como o PLS 241/2014, da senadora Ana Rita (PT-ES), que reserva a metade das vagas destinadas a jovens aprendizes para indivíduos em situação de vulnerabilidade ou cumprindo medidas socioeducativas.

O projeto busca reinserir no mercado de trabalho, de maneira regular, crianças "em risco de envolvimento com as piores formas de trabalho infantil". A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) regulamenta a contratação de jovens a partir de 14 anos, estabelecendo garantias como tempo adequado para dedicação ao estudo, mas não estabelece cotas para grupos específicos.

“Nem sempre os jovens aprendizes contratados pertencem às camadas mais pobres e vulneráveis da população”, explica a senadora na justificativa do projeto.

A matéria tramita na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde aguarda relatório da senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO).

Expropriação de imóveis

Estagnado na sucessão presidencial, Aécio intensifica corpo a corpo em Minas

Comitiva liderada por Aécio percorre as ruas de Montes Claros [Imagem: Bruno Magalhães]

Com algum atraso, o candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) faz passagem rápida por Montes Claros na tarde desta quinta-feira (11), onde se reúne com lideranças políticas da região, em especial prefeitos reticentes em colocar a campanha dos tucanos nas ruas. A visita ao Norte de Minas parece ser parte da estratégia de Aécio para tentar reverter a desvantagem do candidato a governador Pimenta da Veiga – que demora a desbancar o favoritismo do adversário petista, o ex-ministro Fernando Pimentel. Vale o registro de que o candidato esteve em Minas na semana passada, quando se reuniu com prefeito em Belo Horizonte.

Aécio tenta manter os dedos de futuro legado político, agora que os anéis do sonho presidencial parecem perdidos após o cavalo de pau Marina Silva (PSB) representou para a atual sucessão. Chegamos aos meados de setembro, tempo suficiente para a cristalização das pesquisas eleitorais. O Datafolha trouxe a última delas, na quarta-feira, e mostra a consolidação da polarização entre Dilma Rousseff (36%) e Marina (33%). Aécio aparece com 15% das intenções, ainda sem mostrar capacidade de reação aos fatos novos que botaram a sucessão de pernas para o ar.

Uma derrota para o PT em Minas vai representar uma grande interrogação no futuro político do neto de Tancredo Neves. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, tem boas chances de reeleição em São Paulo e se candidata a ser o herdeiro do que gestar do legado político do PSDB. O fracasso de Aécio em Minas praticamente sela o nome de Alckmin como candidato a presidente em 2018.

Com a visita a Montes Claros, os tucanos tentam animar a militância e, principalmente, os prefeitos aliados. A prefeitada tem feito corpo mole em suas bases e, fato mais grave para a permanência dos tucanos no comando em Minas, evita até mesmo exibir o material de campanha de Aécio em seus municípios. Muitos deles têm flertado com as lideranças do petismo na região [veja aqui o que já escrevi a esse respeito].

O giro dos tucanos por Montes Claros, que inclui ainda o ex-governador e candidato ao Senado Antonio Anastasia é tentativa de reverter a percepção de que o jogo já foi jogado em Minas. Pimenta cresce lentamente, mas cresce na reta de chegada. Dificilmente o PT vai levar a eleição no primeiro turno – como chegou a sonhar - a diferença do líder Pimentel Sobre o rival Pimenta da Veiga está em 11 pontos, conforme pesquisa Datafolha divulgada ontem.

Com as chances de segundo turno cada vez mais próximas e no cenário mais provável em que Aécio esteja fora da sucessão presidencial, será tempo para a batalha final entre petistas e tucanos em Minas. A aposta é que Fernando Pimentel não tem bala na agulha para o duelo que conte com a participação de Aécio. É esse o clima que marcou o dia dos tucanos em Montes Claros. As juras de arrancada para uma vitória de Aécio e tudo o mais que foi dito, fica limitado ao pantanoso território das expectativas.

Jogo de cena