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Vereadores podem aprovar empréstimo sem conhecer valor das parcelas que município vai assumir até 2034

A Câmara Municipal de Manga deve aprovar, na noite desta sexta-feira (17), projeto de lei que autoriza o prefeito Anastácio Guedes (PT) contratar empréstimo no valor de R$ 1,5 milhão junto à Caixa Econômica Federal (CEF). Os recursos são do Programa Pró-Transporte - Pavimentação e Qualificação de Vias Urbanas, Etapa 3, e serão utilizados ‘obrigatoriamente’ na pavimentação da Avenida Ayrton Senna. O empréstimo foi autorizado pelo Ministério das Cidades em maio deste ano e prevê contrapartida do município de R$ 163,8 mil.

Segundo o secretário de Administração do município, Diogo Saraiva, não se tem ainda o valor das 240 prestações mensais que a Prefeitura de Manga vai pagar pelo financiamento. Se for mantido o prazo máximo previsto pelo programa, o empréstimo só será quitado em 2034 – daqui a cinco mandatos. O município já pagou a taxa de análise de crédito, mas A Caixa ainda não concluiu o estudo da operação. Diogo Moreira diz que o prazo pode ser reduzido, já que o custo da dívida é relativamente baixo. O prazo de um empréstimo bancário influi diretamente no valor que o município vai pagar na conta juros da operação.

Os juros do financiamento serão pagos mensalmente com a taxa nominal anual de 6%. A Caixa cobra ainda uma taxa de risco de crédito de até 1% ao ano para cada operação, que incide sobre o saldo devedor do contrato. Há ainda a remuneração do banco, de até 2% anuais, também incidente sobre o saldo devedor, além das tarifas operacionais e de análise. No caso de Manga, a taxa prevista será de 8% ao ano. Segundo Diogo, as parcelas devem ficar entre R$ 7 e 8 mil mensais.

Simulações realizadas pelo Em Tempo Real no site Cálculo Exato mostram que os valores devidos devem ficar bem acima dessa estimativa: R$ 15,2 mil quando se considera remuneração pelo método dos juros simples e R$ 24,9 mil pelo sistema de juros compostos. Numa palavra: os vereadores devem aprovar a autorização legislativa sem saber exatamente de quanto será o gasto mensal do município com o serviço dessa nova dívida.

Tema polêmico

O governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), visita Montes Claros, no Norte de Minas, na tarde desta sexta-feira (17). Lideranças de toda a região foram convidadas a participar de encontro com o petista, no Automóvel Clube. Pimentel tenta animar a militância para repetir a ‘onda vermelha’ que levou o PT a vencer em quase todos os municípios da região.

O movimento é reação à ofensiva que o PSDB e gente ligada ao governo mineiro, por enquanto sob o comando de Alberto Pinto Coelho (PP), aecista de primeira hora e quatro costados, teria levado adiante no norte-mineiro. Aliados do tucanato e mesmos aqueles que estão der partida de mala e cuia para o entorno dos futuros donos do pedaço nas Alterosas, foram convocados para tentar ajudar na vitória de Aécio em Minas no próximo dia 26 de outubro.

A reversão da dura derrota no primeiro turno em Minas é considerado, entre os tucanos, pré-requisito para derrotar o PT no plano nacional. É nesse contexto que Pimentel enfrenta o sufocante calor da Terra das Formigas. O comando da campanha petista na região organiza carreata por alguns bairros de Montes Claros para o início da noite, quando pretende dar demonstração de força e crença em nova vitória sobre os tucanos.

Em jogo, a busca petista pelo quatro mandato e a crença de tucanos de que chegou o momento do retorno


A se crer nos números das principais pesquisas de intenção de voto neste segundo turno, o que temos é o seguinte: um país rachado ao meio entre a mudança que Aécio Neves (PSDB) possa representar e o mais do mesmo que Dilma Rousseff (PT) tem a oferecer – a despeito de ter embalado seu marketing eleitoral também com o mote do ‘mais mudanças’ se eleita for para novo mandato.

Um dado especialmente curioso deste segundo turno é o fato de que Ibope e Datafolha mostram o eleitorado estático no intervalo de uma semana para outra. Uma das leituras possíveis é que o ambiente de guerra em que se transformaram os debates e o horário eleitoral tenha assustado a massa de indecisos, que cresceu no período. O redemoinho produzido por denúncias de lado a lado e agressões no plano pessoal, que só encontram paralelo na disputa presidencial entre Lula e Fernando Collor de Mello, há 25 anos, só teria algum tipo de recepção e simpatia entre a militância de cada campanha.

A animosidade entre os candidatos, na base do ‘mentiroso’ para cá e ‘leviana’ para lá, contamina o país e estimula o clima de mãe de todas as batalhas entre petistas e tucanos nesta reta final de campanha. Se por um lado o PT tem enorme resistência a admitir a possibilidade da alternância de poder, com o argumento de que construiu um novo país em 12 anos de mando, por outro o PSDB parece convencido de que nunca esteve tão perto de retomar o poder. Tenta capitalizar em seu favor a majoritária tendência à mudança que o eleitor sinaliza.

O clima andou tão pesado que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu intervir para tentar evitar que os candidatos a presidente da República distorçam o objetivo que norteou a criação do horário eleitoral no rádio e na TV como espaço para ataques aos adversários. A decisão proíbe ainda o uso de recortes de jornais e de declarações de terceiros nas propagandas. A decisão não foi unânime e muda o entendimento anterior que era mais permissivo. No entendimento da Corte, o horário eleitoral gratuito [e que de gratuito não te nada, pois é pago com isenção dos nossos impostos] deva ser usado para debater programas e políticas públicas.

O debate do SBT/UOL/Rádios Joven Pan no final da quinta-feira parece ter sido o ponto-limite da guerra em que se transformou o enfrentamento os dois contendores na disputa presidencial, que ameaçam passar do ponto ao avançar o sinal para questões da vida pessoal do adversário. Quem ganhou?, quem perdeu? Difícil avaliar, embora Aécio Neves tenha demonstrado mais firmeza ante uma Dilma confusa em vários momentos.

Sangue frio

Excesso de ironias pode ter efeito contrário ao esperado por Aécio

Dia de ressaca nos chamados ‘mercados financeiros’ por conta da expectativa com os números da sucessão presidencial que as pesquisas Ibope e Datafolha vão trazer a lume logo mais à noite, no Jornal Nacional. A Bolsa de Valores caiu de maduro nesta quarta-feira, puxada pelos números de empresas do chamado ‘kit eleições’. Petrobras chegou a despencar mais de oito por cento, com a percepção de que a semana em curso pode ser da candidata Dilma Rousseff - em reação ao amplo espaço que o adversário Aécio Neves conseguiu nos dias que sucederam a votação em primeiro turno.

Mas não é só. A quarta-feira de cinzas também se justificaria porque o esperado massacre do candidato Aécio Neves no tête-à-tête com Dilma Rousseff no debate do Grupo Bandeirantes não aconteceu. As avaliações mais ponderadas dão conta de empate no embate entre os dois candidatos, mas com ligeira vantagem para a presidente Dilma – que, se não foi enfática nem brilhante no quesito retórica, teria conseguido surpreender o tucano com denúncias de desvios de dinheiro na saúde e a história do nepotismo durante a passagem do neto de Tancredo pelo governo de Minas.

Aécio, por seu turno, não trouxe fatos novos para o debate. Algo que pudesse surpreender Dilma e tirá-la do sério, com agenda fora do script combinado com seus assessores ao longo da terça-feira. O tucano ficou no mais do mesmo do escândalo na Petrobras e na tentativa, que de resto já leva adiante no horário político, de tentar mostrar o fracasso do governo Dilma na seara da macroeconomia. No mais, foi um festival de ‘o candidato falta com a verdade’ ou “é mentira da candidata”, que serve apenas ao cardápio de expectativas de quem já decidiu seu voto.

O risco para Aécio foi ter pesado a mão nas ironias contra a adversária, o que pode levar o eleitor indeciso a ver apenas arrogância onde o candidato esperava disseminar segurança e determinação. "Seu governo chega ao final de forma melancólica", afirmou o tucano lá pelas tantas.

As pesquisas desta noite não devem pegar ainda o clima do debate na Band, mas há certa expectativa no ar para que Dilma retorne à dianteira – ainda que na margem de erro. Nada, no entanto, é definitivo: a disputa segue acirrada e aberta às surpresas. Restam ainda três debates na TV. O principal deles na TV Globo, no dia 24 de outubro, a dois do segundo turno – quando eventual erro não tem retorno.

Três Marias chega a nível crítico, com ameaça para geração de energia e economia de cidades ribeirinhas

Com Agência Brasil

Imagem: Elizabete Alves Lopes

Outubro avança e nada de chuva no Sudeste e Centro-Oeste do país. A estiagem, aliada às altas temperaturas, por sua vez potencializadas pelo efeito das queimadas, confere status de verdadeiro drama para as populações ribeirinhas do Rio São Francisco. Agora mesmo, o volume útil de água do reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias, em Minas Gerais, desceu a 4,1% da capacidade máxima do reservatório - nível que compromete a vida dos ribeirinhos em assuntos vitais como travessia de uma margem para outra e a manutenção de lavouras irrigadas.

Para se ter ideia da gravidade da situação, em outubro do ano passado, quanto o regime de chuvas era mais ou menos normal, o volume da represa estava em 24,86%. Segundo a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), concessionária que administra Três Marias, das seis turbinas da usina, penas duas estão em operação. Ainda assim, a empresa garante que a hidrelétrica continuará gerando energia até que o volume útil chegue a zero, caso isso aconteça. Mas já circulou informação dando conta que, se chegar a 3% da capacidade do lago de Três Marias, a geração de energia será totalmente interrompida, por que a lâmina d’água ficaria abaixo do ponto de alimentação das turbinas.

Redução recorde da vazão