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Cemig reduz novamente vazão da barragem

As chuvas que têm caído o Sudeste ainda não foram suficientes para reverter a crise hídrica que afeta rios da região, em especial o São Francisco. A vazão do reservatório da usina de Três Marias teve nova redução de vazão na quinta-feira (30). O volume de água liberado pela barragem caiu de 140 metros cúbicos por segundo para os atuais 120 metros cúbicos por segundo. A medida pode ter o efeito prático de agravar a situação das populações próximas ao reservatório os próximos dias.

Essa é a menor vazão registrada naquele que é um dos maiores instalados ao longo do Rio São Francisco. A medida foi determinada pela Agência Nacional de Águas e tem o objetivo de preservar o reservatório, que hoje está com 3,01% de seu volume útil. Três Marias é o reservatório de cabeceira do Rio São Francisco e o segundo maior da bacia, depois de Sobradinho.

A usina de Três Marias, que possui seis turbinas para gerar energia, funciona atualmente com apenas duas turbinas e corre o risco de ter que desligar todas as máquinas, devido à queda constante do volume de água.

Por meio de nota, a Cemig [A Companhia Energética de Minas Gerais], responsável pela usina, informou que avalia, agora, a possibilidade de cumprir a solicitação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) sem que haja necessidade de desativar uma das turbinas em operação. A estimativa é de que seriam necessários 30 dias de chuvas ininterruptas para que a barragem retome o se nível normal, o que provavelmente não vai ocorrer na atual temporada de chuvas.

Configuração inédita que coloca PT nos três níveis de governo anima prefeitos de Manga e Januária

Os petistas Manoel Jorge e Anastácio apostam suas fichas no mando petista de ponta a ponta: União, estado e municípios

Embalados pela recente conquista do governo mineiro e reeleição da presidente Dilma Rousseff, os prefeitos petistas Manoel Jorge (Januária) e Anastácio Guedes (Manga) têm dito ao circulo de assessores mais próximos que agora vão conseguir deslanchar suas gestões. Não é nada, não é nada os dois se animam com a perspectiva de reeleição que até aqui não lhes era muito favorável. 

A inédita e rara conjuntura que colocou o PT nas três esferas de poder seria o o caminho mais rápido para imprimir ritmo às respectivas administrações, que já andam pela metade e ainda não conseguiram dizer a que veio. Em Manga, por exemplo, Anastácio tem mais festa do que obras no currículo, mas é todo otimismo com a possibilidade de virar o jogo após Fernando Pimentel assumir o governo de Minas, em janeiro próximo.

Mas não é só. O status de deputado estadual mais votado no estado que o petista Paulo Guedes acaba de conquistar é festejado como novo momento para a região - em especial para as administrações petistas. O otimisto é justificado também por que o PT voltou a fazer barba, cabelo e bigode no semiárido mineiro no segundo turno das eleições presidenciais. Municípios como Bonito de Minas (onde a presidente Dilma alcançou 88,37% dos votos válidos) e Miravânia (80,36% dos votos válidos) exacerbaram a chamada onda vermelha. Ainda que necessário relativizar esses feitos, dado o pequeno número de eleitores dessas localidades, a lavada petista se repetiu com intensidade parecida por cerca de noventa municípios da região. E o que dizer dos 62,05% que a presidente reeleita conquistou em Montes Claros, o maior colégio eleitoral da região?.

Com esses números, o Norte de Minas por inteiro e não só municípios sob o mando do PT certamente mereceriam maior atenção do segundo governo Dilma e do estreante Pimentel. Mas é conveniente que Manoel Jorge e Anastácio moderem o entusiasmo. Tudo está a indicar que o cobertor será curto em 2015, especialmente em Minas, onde o futuro governo deve herdar situação fiscal das mais complicadas. Quanto ao governo federal, nada leva a crer que daqui pra frente tudo vai ser diferente. O próximo ano, por sinal, será exatamente o exíguo tempo que resta aos atuais prefeitos para mostrarem serviço.

Isonomia

Reúso da água da piscicultura na irrigação de lavoura foi um dos destaques da premiação


Tanques de criação de peixes na Fazenda Vista Alegre: água é canalizada para reúso em plantações (Foto: Manoel Freitas)

As empresas Andarilho da Luz, de Belo Horizonte, Arga Vidros, de João Pinheiro, Fazenda Vista Alegre, de Manga e Trivelato Geradores, de Uberlândia foram as grandes vencedoras do 4º Prêmio Sebrae Minas de Práticas Sustentáveis, anunciado na semana passada, durante cerimônia em Belo Horizonte. 

Selecionadas entre 193 inscritas em todo o estado, as quatro iniciativas vão receber capacitação em liderança e gestão avançada e terão suas práticas em sustentabilidade relatadas em uma publicação especial do Sebrae Minas, que também vai abordar as práticas de outras seis finalistas.

Uma das vencedoras, a Fazenda Vista Alegre, em Manga, no extremo Norte de Minas, tem como premissa o reaproveitamento de recursos. Seguindo a Lei de Lavoisier, segundo a qual “na natureza nada se cria, tudo se transforma”, a fazenda reutiliza a água usada na piscicultura para a irrigação, não poluindo o rio e ainda economizando na fertilização da lavoura e do pasto.

O empresário Edvaldo Alkimin (ao centro na foto ao lado), dono da fazenda, também gerencia uma padaria e um laticínio. O soro gerado pelo laticínio, que antes era despejado no meio ambiente, é destinado para alimentação dos porcos, assim como as sobras da padaria, que ajudam a reduzir o custo da alimentação dos suínos. Os restos de alimentos da padaria também viram compostagem, adubo orgânico para a fertilização da horta.

A fazenda também tem um projeto, em fase final, para a utilização dos dejetos dos porcos na produção de biogás, que irá gerar energia elétrica para o laticínio. “Não há desperdiço, tudo é reaproveitado em favor do meio ambiente e dos negócios. Tudo que vem fazenda como o leite, legumes, verduras e frutas vai para a padaria, e os resíduos gerados pela padaria voltam para a fazenda, servindo para a fertilização da terra. O nosso lema é aproveitar e reaproveitar”, conta Edvaldo.

O prêmio

Criada em 2011, a premiação promovida pelo Sebrae Minas é um incentivo à inovação tecnológica e à busca de posturas e procedimentos que possam tornar as pequenas empresas mais eficientes, rentáveis e sustentáveis.

“O prêmio reconhece as iniciativas empreendedoras em sustentabilidade, com o objetivo de tornar os empresários mineiros mais conscientes e responsáveis, diminuindo o risco da escassez de recursos naturais imprescindíveis para a nossa sobrevivência”, explica o diretor de Operações do Sebrae Minas, Fábio Veras.

Nesta 4ª edição foram 71 inscritos a mais que na edição anterior. Entre os critérios de seleção do prêmio estão empresas que estão em dia com as obrigações de licenciamento ambiental e possuem práticas diferenciadas na gestão de resíduos, recursos hídricos, eficiência energética, controle de qualidade do ar e da poluição sonora. No âmbito social, empreendimentos que investem em programas de treinamento e capacitação dos empregados, de segurança no trabalho, além de respeito à legislação trabalhista, previdenciária e fiscal.

Outras práticas premiadas

Baixa demanda por novos processos pode levar Tribunal a ampliar número de municípios sob circunscrição do juizado local

Prédio do Fórum de Montalvânia: baixo demanda ameaça futuro da Comarca (Foto: Rômulo Henok)

Rumores dando conta que a Comarca de Montalvânia, no extremo Norte de Minas, poderá ser extinta causou certo mal-estar na cidade e região nas últimas semanas. O entendimento é de que, se levada adiante, a medida pode representar grande retrocesso para o município. Instalada em 1998, a Comarca de Montalvânia é considerada como de baixa distribuição [há períodos em que o registro de novos processos é menor que os transitados em julgado]. O site apurou que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) tem pronto estudo para readequar algumas de suas 296 comarcas, de modo a distribuir melhor o efetivo de magistrados, considerado abaixo das necessidades de prestação dos serviços judiciais.

O levantamento, que avaliou dados processuais em todo o estado, identificou a distribuição de processos e o acervo de cada instância. A conclusão é de que parte dessas “comarcas têm distribuição processual alta e acervo elevado, em contraste com outras em que a realidade é de baixa distribuição mensal e acervo reduzido”. 

Cada comarca precisa ter uma produção mínima que justifique a sua criação e existência. O Tribunal de Justiça pode estender a jurisdição dos juízes de primeiro grau para comarcas contíguas ou não, na tentativa de buscar solução para acúmulo de serviço. Esse parece ser o caso de Montalvânia, que tem estoque baixo de processos em andamento (pouco mais de mil segundo uma fonte), enquanto a vizinha Comarca de Manga, bem mais antiga, acumula algo em torno de 15 mil processos ainda sem julgamento.

Segundo o texto, comarcas com movimentação e distribuição processual baixas poderão abarcar novos municípios, antes atendidos por comarcas com acervos significativos e com alta distribuição mensal de processos. “A divisão equitativa do trabalho só traz vantagens para o jurisdicionado, que terá suas demandas julgadas mais rapidamente, sem prejuízos para os envolvidos”, diz o texto.

Força de trabalho

Reeleita para novo mandato, presidente faz apelo por diálogo e promete reformas

Banquete dos signos: Lula e Dilma simbolizam paz ao país divido após a mais difícil batalha eleitoral desde a redemocratização

Dilma Rousseff foi eleita neste domingo (26) para um novo mandato na mais apertada vitória desde a redemocratização do país (51,6% dos votos, contra 48,4% do rival Aécio Neves). “Ao vencido o ódio ou a compaixão. Ao vencedor as batatas”, já dizia Machado de Assis na célebre frase que colocou na boca de Quincas Borba. Dilma venceu e, portanto, leva as batatas. Ou o abacaxi, para que prefira, de governar um país dividido, com baixo ritmo na atividade econômica e muitas incertezas para o futuro.

Não por acaso, ela e o ex-presidente Lula apareceram vestidos de branco, na cerimônia de agradecimento de agora há pouco em um hotel aqui de Brasília. Tirante a militância, que por motivos óbvios precisa bater-bumbo, pelo menos por aqui, o clima é pouco festivo. Dilma, por sinal, estava mais leve e simpática ao retirar o ar carrancudo com que apareceu nos últimos debates eleitorais. 

Além do simbólico apelo à cor que representa a paz, a presidente eleita fez apelo ao diálogo e à união. Não poderia ser diferente, pois, superados os ataques de lado a lado, na mais virulenta campanha dos últimos tempos, Dilma precisa governar para todos. A ênfase nesse detalhe, portanto, não é gratuita, muito menos desnecessária.

Ali mesmo, a seus pés, militância sequiosa por mais embate gritava palavras de ordem contra a Rede Globo e, por adição, contra a revista Veja – representação do que o petismo apelidou de mídia golpista. Dilma terá que fazer ouvidos moucos aos apelos da turma ávida por repetir no Brasil os mimos que Cristina Kirchner e o chavismo reservaram aos seus desafetos nos respectivos países.

A simbologia da paz talvez soe mais didática até mesmo a Lula do que em Dilma. O ex-presidente personaliza melhor a divisão do país entre o ’nós’ e o ‘eles’, na linha da divisão de classe e acentuação das diferenças regionais que, ao fim e ao cabo, foi o combustível para garantir ao PT 16 anos no poder, o maior período de mando de uma corrente política na história de República - considerados as fases de normalidade democrática. Campanha é uma coisa e governo é bem outra, é essa a mensagem implícita no jogo de sinais. Ainda sob os efeitos inebriantes da vitória, Dilma foi nessa direção.

“Em lugar de ampliar divergências, creio que é hora de construção de pontes. O calor liberado no fragor da disputa pode ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil. Em alguns momentos da história, resultados apertados produziram mudanças mais rápidas e mais amplas. Essa é minha esperança. Aliás, é minha certeza. Esta presidente aqui está disposta ao diálogo e este é meu primeiro compromisso neste segundo mandato. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós, que vivemos numa das maiores democracias do mundo”, discursou a presidente eleita.

Na sua fala, Dilma lembrou que mudança foi a palavra mais dita durante a campanha e que o tema mais amplamente invocado foi reforma. “Estou sendo reconduzida à presidência para realizar as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige. Estou pronta a responder a essa convocação. Sei do poder que cada presidente tem de liderar as grandes causas populares. E eu o farei”, disse a presidente. Mais fácil falar do que fazer, dado o previsível quadro de dificuldades que a petista vai encontrar ao longo do caminho desse segundo mandato, quando a expectativa de poder tem data de validade.

Minas e Aécio