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Lula repete a lei natural de que ninguém está imune aos efeitos do tempo

A três dias do retorno do eleitor à cabine de votação, a disputa presidencial chega ao seu momento de maior tensão. Tudo agora precisa ser milimetricamente calculado de lado a lado, porque qualquer erro pode tirar as chances dos dois contendores na disputa – até aqui empatados, muito embora no limite extremo da chamada margem de erro. 

A presidente Dilma Rousseff recebeu significativo alento, ao aparecer à frente do adversário Aécio Neves, mas, vale repetir, ainda que dentro dos limites do empate técnico. Ela tem 47% das intenções de votos, ante 43% do seu adversário. Apesar dessa ligeira vantagem, o clima é de muita cautela nas hostes petistas. Quando nada pelo histórico de erros nas pesquisas, mas também pelo receio de que eventual abstenção fora dos limites históricos possa vir exatamente do eleitorado de Dilma. 

O balanço prévio do que se viu até aqui mostra a campanha mais polarizada e nervosa dos últimos tempos. Há 12 anos no mando federal, o PT não se imagina fora da Esplanada dos Ministérios – o que explica boa parcela do mau-humor que tomou conta dos programas eleitorais, debates e do bate-boca virtual entre militantes de cada corrente na arena em que tem se transformado o fenômeno ainda recente das redes sociais. 

A hora é de decisão, portanto, e o que se vê é um país dividido ao meio. Lula, o velho, que não é bobo nem nada, parece pressentir o cheiro de queimado no seu entorno. Por isso assumiu para si a pouco edificante tarefa de atacar o neto de Tancredo abaixo da linha da cintura. E nisso ele é bom, porque foi moldado por anos de sindicalismo. Lula adotou estratégia de tentar colar em Aécio a pecha do sujeito que ataca com inclemente fúria uma senhora indefesa, na tentativa de apresentar sua pupila como uma simplória dona de casa, uma avó em sua tarefa de zelar pela prole. Coisa que Dilma evidentemente não é, dadas as escolhas que fez ao longo da vida e ao cargo que ocupa. Não bastasse isso, vide a imagem sempre belicosa e de poucos amigos que transparece em suas constantes aparições públicas – sobretudo nos debates. 

Lula chega ao limite de chamar Aécio de ‘moleque’ e outros excessos tantos [insinuar que o tucano bate em mulher e que se vir um pobre passa por cima]. Ontem, no comício em Belo Horizonte, o chefe da nação petista, deu clara demonstração de que se dá ao direito, ainda que no calor dos palanques, onde ninguém ousa contestá-lo, a passar de todos os limites.

Nada o impede, nem mesmo a memória do que passou em 1989, quando o agora aliado petista Fernando Collor desceu ao nível do esgoto, ao misturar família e política - naquele episódio infame em que trouxe à TV uma filha que Lula supostamente quisera abortar. Quem vê o Lula na TV, apoplético e aos gritos mesmo na condição de não candidato, pode não entender o motivo dessa ira santa. Aí é que se recomenda um pouco de cautela e doses extras de caldo de galinha. Se a fórmula lulista da briga retórica potencializada pela voz gutural e a teatral cara de indignado ainda serve de gasolina aos motores da militância petista, a imagem começa a simbolizar uma etapa da história pátria que ameaça estacionar no tempo.

Dono da bola

Deve sair nos próximos dias a assinatura do contrato entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Ethos Engenharia de Infraestrutura S.A., empresa vencedora do processo de licitação para a retomada da pavimentação do subtrecho da rodovia federal BR-135, entre o povoado de Monte Rei e Montalvânia, no extremo Norte de Minas.

Paralisada há quase três anos, a obra prevê o asfaltamento de 18,4 quilômetros e complementa a pavimentação entre Manga e a divisa com o estado da Bahia, iniciada há quatro anos. A Ethos Engenharia venceu a licitação na modalidade RDC (regime diferenciado de contratações públicas) ao oferecer o maior desconto em relação ao preço global sugerido pelo DNIT, de R$ 30,3 milhões.

A empresa de Belo Horizonte se habilitou a construir o asfalto pelo valor de R$ 25,5 milhões – o que representa economia de R$ 4,7 milhões em relação ao preço de referência estipulado pelo governo federal.

Segundo uma fonte ligada à Ethos Engenharia, a previsão é que a empresa comece a instalar o canteiro de obras na região ainda em 2014, com previsão do início das obras previsto para o início do próximo ano. Quando as máquinas novamente roncarem no sertão do norte-mineiro, será o começo do fim de uma longa espera, recheada de muitos adiamentos.

A população espera, há quase três anos, pela solução do impasse que paralisou a obra desde o final de 2011, quando a firma responsável pela pavimentação, a SPA Engenharia, não conseguiu cumprir cronograma acordado com o Ministério dos Transportes e deixou a região sem sequer concluir a fase de terraplanagem da rodovia.

Câmara aprova abertura de processo de cassação contra vereador

O vereador Gil Mendes de Jesus, o Gil do Conselho Tutelar (PP), virou a ‘Geni’ preferencial entre os seus pares na Câmara Municipal de Manga. O plenário da Casa aprovou, na sexta-feira (17), requerimento de autoria do vereador Evilásio Amaro (PPS) que autoriza a abertura de processo de cassação do colega por suposta quebra de decoro parlamentar.  O requerimento, com 30 laudas, foi aprovado por 7 votos a 1, e faz pormenorizado relato do que seriam as transgressões ao regimento interno por Gil Mendes, desde que assumiu o cargo para seu primeiro mandato, em janeiro de 2013. Somente o vereador Hélio Soares de Assis, o Hélio Boquinha (sem partido), votou contra a pedido.


Na petição, Amaro alega ter sido ofendido em sua honra pelo colega Gil Mendes com ‘palavras de baixo calão e calúnias’, durante pronunciamento no plenário da Casa no início do mês de agosto. A lavação de roupa suja entre Amaro e Gil Mendes, ambos da bancada de oposição, foi parar no plenário, quando a Câmara de Manga passou por um dos momentos mais deploráveis da sua longa história.

Na ocasião, Gil Mendes pediu a palavra durante o grande expediente da reunião extraordinária realizada na quarta-feira, 6 de agosto, para fazer um duro pronunciamento contra o colega Amaro, de quem cobrava explicações sobre a autoria de boatos que circularam na cidade, dando conta de que, ele Gil, teria pedido R$ 7 mil para colocar a sua assinatura no requerimento que pede a instalação de CPI para apurar denúncia de que o microempresário manguense Silvano Ferreira de Souza teria sido usado como ‘laranja’ em contratos de prestação de serviço para o município na atual gestão. 

Há pouco mais de duas semanas, logo após a sessão ordinária do dia 3 de outubro, Gil Mendes, o pândego, protagonizou duro bate-boca de bastidores com o presidente da Câmara, Leonardo Pinheiro (PSB). A discussão parece ter sido a gota d’água que promete fazer o copo de Mendes entornar. Os vereadores não comentam abertamente o caso, mas o que se comenta nos bastidores é que o vereador Gil Mendes ‘passou da conta’ nas críticas aos colegas. Resumo da ópera: o clima azedou e Gil está no fio da navalha, porque já teria sido advertido pela mesa diretora em algumas ocasiões e, ainda assim, não teria mudado o 'comportamento' inamistoso em relação aos seus pares.

No geral, os colegas reclamam da prepotência de Gil Mendes, que já chegou a se comparar ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa. Gil também é autor de matérias polêmicas, como o projeto que quer instituir quatro reuniões plenárias do Legislativo por mês, em lugar das duas atuais. Outro requerimento dele, ainda em fase de elaboração, vai pedir que o uso do paletó e gravata se torne obrigatório na Casa. Gil comparece devidamente paramentado a todas as sessões da Casa, mas o terno e grava não é unanimidade entre a vereança. A avaliação da vereança é que Mendes faz tudo para aparecer.     

Terno novo

Vale do São Francisco ganha parque urbano rico em grutas, pinturas rupestres e mananciais

[DO PORTAL CODEVASF] - A região do vale do São Francisco em Minas Gerais ganhou neste segundo semestre de 2014 mais um importante atrativo turístico. Trata-se de um dos maiores parques urbanos do país, o Parque Estadual da Lapa Grande, sediado em Montes Claros, município localizado no Norte de Minas a 418 quilômetros da capital, Belo Horizonte. O parque foi aberto à visitação pública em julho deste ano e já atrai moradores de Montes Claros e de outras cidades do país.

Com área de sete mil hectares, no bairro Vila Atlântida, a 10 quilômetros do centro da cidade, o Parque da Lapa Grande é rico em atrações naturais. Um dos principais objetivos que levou o Instituto Estadual de Florestas (IEF) a criar o parque, em 10 de janeiro de 2006, foi a necessidade de proteger e conservar um complexo formado por 58 grutas já catalogadas e dezenas de mananciais de água que contribuem para o abastecimento da população de Montes Claros, bem como de outros municípios limítrofes da maior cidade norte-mineira.

Entre outras atrações, o Parque Estadual da Lapa Grande conta com centenas de pinturas rupestres que revelam parte das atividades implementadas por antigas civilizações que habitaram o vale do São Francisco na era pré-histórica. O parque está inserido na região de ocorrência de cerrado, ecossistema predominante em Minas Gerais. A administração é feita em conjunto pelo IEF e Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que gerencia o abastecimento de água de Montes Claros por meio de concessão. Além das belezas naturais a prática do ciclismo é uma das opções de lazer do local, que detém 14 quilômetros de trilhas de nível leve a moderado.

Para atividades de educação ambiental, o parque conta com duas trilhas guiadas por monitores ambientais: a trilha da Lapa Grande, com 430 metros (percurso completo), e a trilha Boqueirão da Nascente, com 1.180 metros de percurso completo (ida e volta). Aos sábados, domingos e feriados, o parque tem capacidade para receber, diariamente, 200 visitantes (100 pela manhã e 100 à tarde). A entrada no parque começa às 8h30 e termina às 15h30. A taxa de acesso está fixada em R$ 5,00.

Acervo

Vereadores podem aprovar empréstimo sem conhecer valor das parcelas que município vai assumir até 2034 

ATUALIZAÇÃO: O projeto foi votado na noite da sexta-feira (17), como antecipou este Em Tempo Real. A autorização foi aprovada por oito votos a um. O único voto contrário veio do vereador Gil Mendes (PP). A Prefeitura de Manga não tem previsão de quando a análise ficará pronta nem quando o dinheiro do empréstimo será liberado.


A Câmara Municipal de Manga deve aprovar, na noite desta sexta-feira (17), projeto de lei que autoriza o prefeito Anastácio Guedes (PT) contratar empréstimo no valor de R$ 1,5 milhão junto à Caixa Econômica Federal (CEF). Os recursos são do Programa Pró-Transporte - Pavimentação e Qualificação de Vias Urbanas, Etapa 3, e serão utilizados ‘obrigatoriamente’ na pavimentação da Avenida Ayrton Senna. O empréstimo foi autorizado pelo Ministério das Cidades em maio deste ano e prevê contrapartida do município de R$ 163,8 mil.

Segundo o secretário de Administração do município, Diogo Saraiva, não se tem ainda o valor das 240 prestações mensais que a Prefeitura de Manga vai pagar pelo financiamento. Se for mantido o prazo máximo previsto pelo programa, o empréstimo só será quitado em 2034 – daqui a cinco mandatos. O município já pagou a taxa de análise de crédito, mas A Caixa ainda não concluiu o estudo da operação. Diogo Moreira diz que o prazo pode ser reduzido, já que o custo da dívida é relativamente baixo. O prazo de um empréstimo bancário influi diretamente no valor que o município vai pagar na conta juros da operação.

Os juros do financiamento serão pagos mensalmente com a taxa nominal anual de 6%. A Caixa cobra ainda uma taxa de risco de crédito de até 1% ao ano para cada operação, que incide sobre o saldo devedor do contrato. Há ainda a remuneração do banco, de até 2% anuais, também incidente sobre o saldo devedor, além das tarifas operacionais e de análise. No caso de Manga, a taxa prevista será de 8% ao ano. Segundo Diogo, as parcelas devem ficar entre R$ 7 e 8 mil mensais.

Simulações realizadas pelo Em Tempo Real no site Cálculo Exato mostram que os valores devidos devem ficar bem acima dessa estimativa: R$ 15,2 mil quando se considera remuneração pelo método dos juros simples e R$ 24,9 mil pelo sistema de juros compostos. Numa palavra: os vereadores devem aprovar a autorização legislativa sem saber exatamente de quanto será o gasto mensal do município com o serviço dessa nova dívida.

Tema polêmico